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November 21 SP tem maior manifestação negra e anti-racista
Por: Redação - Fonte: Afropress - 20/11/2006 S. Paulo - São Paulo assistiu nesta segunda-feira (20/11), a maior manifestação negra e anti-racista de sua história, com 20 mil pessoas ocupando todas as faixas da Avenida Paulista, o maior centro financeiro do país por vários quilômetros. Na Brigadeiro Luiz Antonio, por onde passou em direção ao Parque do Ibirapuera, ativistas da Parada Negra e da Marcha da Consciência Negra eram saudados dos prédios pelas pessoas das janelas dos apartamentos. “Está muito bonito, gente!”, diziam alguns militantes emocionados. Outros mais experientes celebravam a maturidade das lideranças que deixaram de lado a disputa de espaço político, para colocar a Causa do Combate ao Racismo em primeiro lugar, conseguindo unificar todas as entidades em torno de uma agenda comum de atividades e de um mesmo roteiro para a Marcha. Faixas condenando o racismo e a discriminação e exigindo a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e de Ações Afirmativas e Cotas foram estendidas por ativistas vindos de várias regiões de S. Paulo e até de algumas cidades do interior, como S. Vicente, de onde vieram caravanas. A manifestação começou às 12h, no vão do Masp da Avenida Paulista com apresentações culturais e um culto inter-religioso. Aos poucos, as pessoas foram chegando. De ônibus, de metrô, de carro, a pé, a massa anônima foi crescendo, até começar a lotar o vão do MASP Em um caminhão de som cedido pela CUT, Sônia Leite, Flávio Jorge, Juliano Vieira e Dojival Vieira – respectivamente do Fórum de Mulheres Negras, Conen, Unegro e Movimento Brasil Afirmativo - assumiram a organização do evento. O ato inter-religioso reuniu representantes das religiões de matriz africana, pastores evangélicos, padres da Igreja Católica. Deputados, como Jamil Murad, Nivaldo Santana, Simão Pedro, Vicente Cândido, Ivan Valente e José Cândido - o único deputado negro eleito em S. Paulo nas eleições de outubro - condenaram o racismo e a discriminação. Um dos momentos mais emocionantes foi quando o professor Eduardo de Oliveira, do Congresso Nacional Afro-Brasileiro, cantou o “Hino à Negritude” de sua autoria exaltando “os negros de altivez”. Manifestantes, alguns de punho cerrado e outros de mãos dadas acompanharam a execução do Hino. O professor Antonio Jacinto dos Santos, um dos dirigentes do Movimento Brasil Afirmativo, denunciou as dificuldades colocadas para que a Paulista fôsse utilizada. "Tentaram nos levar para todos os lugares porque não queriam que usássemos a Paulista. Mas, nós estamos aqui", disse lembrando as tensas reuniões com o coordenador da CONE, Mário Côrtes. Por volta das 14h, chegou Mano Brown, líder dos Racionais MCs que, no entanto, preferiu não subir ao palanque, embora anunciado. Pouco depois, todas as faixas da Avenida foram tomadas, com a chegada dos estudantes da Rede Educafro que, pela manhã fizeram inauguração simbólica de um busto de Zumbi, próximo a Estação do Anhangabaú. Chegaram acompanhados de Frei David, diretor executivo da Rede de Cursinhos pré-vestibulares para negros. A Parada reuniu também personalidades brancas anti-racistas como Ana Letícia, do Instituto Ethos, o empresário Michel Haradon, presidente da Fersol e o procurador da Justiça, Pedro Falabella Tavares de Lima, que acampanhou os manifestantes em um trecho da Paulista. Pouco depois das 15h começou a passeata em direção ao Ibirapuera, onde os manifestantes chegaram por por volta das 17h. Lá, representantes de todas as entidades falaram. Em meio a manifestações de alegria, depois de uma apresentação de poetas da Cooperifa, por volta das 18h, terminava a manifestação histórica que marcou o Dia Nacional da Consciência Negra, com uma celebração de religiosos de matriz africana - pais e mães de Santo. “A preparação para o próximo Dia Nacional da Consciência e para a próxima Parada Negra começa amanhã mesmo”, disse o jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress e ativista do Movimento Brasil Afirmativo. “Vamos nos manter todos unidos porque é desta forma que vamos derrotar o racismo e mudar São Paulo e o Brasil”, concluiu.
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December 26 SE7E de volta, com os dedos afiados para teclar e entornar gasolina na fogueira.
Todo mundo sabe que o Rap vende muito, mas fiquei impressionado com a quantidade de lixo comprado nos EUA. De acordo com a MTV e o Departamento de Controle de Vendas dos Estados Unidos os 15 artistas que mais lucram (ou lucraram) na terra do Tio Sam são os seguintes:
15- Missy Elliot (extremamente criativa); 14- 50 Cent (o primeiro trampo foi bom, mas não aguento mais ouvir esse cara e se continuar tirando onda com todo mundo vai morrer logo); 13- Notorious BIG (considerado por muitos o melhor (?)); 12- P. Diddy (empresário de primeira, rapper de 2a., 3a., etc.); 11- LL Cool J (um dos pioneiros); 10- Ja Rule (voz da hora e só , mais nada); 9- Lauryn Hill (essa sabe tudo e mais alguma coisa); 8- Nelly (ah! não, assim não, esse não...); 7- DMX (meio maluco, mas muito bom no que faz); 6- Beastie Boys (goste ou não - fazem parte da história); 5- Jay-Z (inteligente, mas...); 4- Snoop Dogg (chega meu...); 3- Dr. Dre (seria ele o melhor produtor da história? vendeu 17.8 milhões de cópias); 2- Eminem (extremamente louco e talentoso - 22.9 milhões de álbuns); 1- 2Pac (continua vendendo muito mesmo depois de morto - vendagem recorde de 26.5 milhões de discos, CDs, etc.).
Agora, pensa comigo. Muito lixo na lista, hein? 50 Cent, P. Diddy, Ja Rule, Nelly, Snoop, etc. - apenas alguns dos que atrapalham mais do que ajudam. Deveriam ser substituidos por Gang Starr, Nas, Run DMC, e por ai vai. Mas o que eu posso fazer se a juventude gringa quer ser burra?
Espero que a nossa juventude brasileira decida por outro caminho (melhor)!
É, ele não vem no morro... Mas porquê será? Será pelo seu reumatismo? Ou pela sua osteoporose? Ou quem sabe pelo seu problema de pressão? Pode ser a sua obesidade, quem sabe? O problema é que ele não vem no morro...! Mas, e quanto às casas luxuosas de estilo europeu, com suas imensas chaminés?! Dizem que ele desce por elas todos os anos para deixar ao pé de cada árvore um presente para cada criança que o encomendou...! É, para quem sofre de reumatismo, obesidade, pressão ou osteoporose, o esforço de descer por uma chaminé deve ser tremendo...! E se é assim, então porque ele não vem no morro?! Ano após ano, a molecada daqui espera por este momento... Nos outdoors das avenidas, nas vitrines das lojas, nas propagandas da TV, durante todo o mês de dezembro, ele se torna a figura mais badalada do natal... Então, será que ele não vem no morro por causa da sua agenda lotada?! É, devem ser as quantidades de compromissos com a TV e com as campanhas publicitárias do mundo inteiro...! Ele tem que aproveitar, porque na sua época não tinham estas coisas de rádio e TV... Mas será que ele não encontraria um tempinho sequer pra vir aqui no morro?! Nesta época do ano os meninos ficam indóceis querendo saber: ele vem?! Ele vem?! E a resposta é sempre desanimadora... Os que conseguem estudar, querem mostrar que foram bons meninos durante todo o ano, e mostram orgulhosos seus boletins escolares como prova de uma missão cumprida à espera da recompensa prometida por ele no dia 25 do último mês do ano: um brinquedo! Eles não estão preocupados se é da loja ou se já foi de outra criança que usou e abusou dele. Eles querem apenas saber se ele vem no morro entregar...! Será medo de altura? Mas dizem que ele vem com seu trenó pelo alto e sobe em chaminés... Mas então qual é o motivo? Dizem que ele vem todos os anos nos condomínios ali debaixo, do outro lado da rua... Então, se ele vem tão pertinho, porque ele não vem aqui...? O grande problema disso tudo, é que hoje sou adulto e aprendi a crer que ele não existe mais na vida real e nunca virá aqui no morro...!
O verdadeiro significado do natal está muito além dos pinheiros adornados, das nozes e castanhas; da mesa farta da ceia; dos presentes, e da figura do bom velhinho. Ele começa com a história de um Menino muito humilde; nascido em um vilarejo pobre; num berço improvisado; pretinho como a maioria das crianças do morro; perseguido por um rei tirano – que tinha muito medo de perder seu trono por causa de alguém que acabara de vir ao mundo –, e filho de um carpinteiro. Um Menino que durante sua mocidade pregaria para as pessoas o verdadeiro sentido do amor e da igualdade. Um Menino, que ao se calar, falaria mais alto que as suas próprias palavras. Um Menino que seria levado ao banco dos réus pelo simples delito de pregar a certeza de dias melhores para um povo sofrido. Um Menino que seria rejeitado pela sua própria gente. Um Menino traído pela inveja humana. Um Menino assassinado injustamente. Mas um Menino que ressuscitou ao terceiro dia e que provou, que para herdarmos as confortáveis moradas de seu Pai, precisaríamos resgatar o nosso lado criança, há muito esquecido em nosso eu...
Um Menino de nome Jesus, a única razão do natal!
Feliz natal em Cristo! |  |
December 19
Ele não conta a história bonita que você ouve por ai; Ele troca uma idéia através da musica; Ele denuncia a injustiça que o meu povo vive ; Ele conta a vida do crime, ela fala da violência ; Ele acredita em “Deus”, ele não faz apologia ao caminho errado; Ele simplesmente diz a verdade e conta o que vive todos nós da periferia; Ele é odiado por aqueles que não gosta de ouvir a verdade; A elite o odeia, as vacas faz cara feia ; Ele luta para que o povo daqui tenha uma vida melhor; Dos “Boy´s ” ele não tem dó; A televisão ignora o que ele fala, não quer ver nem a sua cara; Mas ele é admirado e respeitado; Ele é a idéia quente do malandro de atitude; Ele é a voz do “GUETO”, dos muleques, das minas , do povo da periferia; Som da favela , dos lokos, dos pretos; Ele é a nossa musica. O nome dele é “RAP”, é gente da gente .
É quente....
December 15 Em busca da paz.
O Hip Hop oferece aos jovens da periferia uma alternativa de vida. Vivendo em áreas carentes de São Paulo, metrópole onde a cada hora uma pessoa é assassinada, eles encontram neste movimento uma alternativa de lazer que prega a paz. As mensagens positivas do Hip Hop procuram afastar da criminalidade os jovens que convivem com uma taxa de desemprego de 50% para pessoas de sua idade."O movimento foi criado com a intenção de tirar o jovem das drogas, das brigas de gangue e centralizar a energia que seria para violência, para a criação artística", explica a professora da USP que preparou uma tese de mestrado sobre Hip Hop, Elaine Andrade. O Grito da Periferia mostra como essa cultura de pessoas que normalmente sofrem discriminação econômica e racial tem como mensagem maior a paz, uma visão positiva que se contrapõe à violência e ao uso de drogas. Para a socióloga Helena Abramo, "O Hip Hop é a expressão cultural de jovens pertencentes a classe sociais e étnicas discriminadas e excluídas em diversos países".
A História do RAP A origem do Rap remonta à Jamaica, mais ou menos na década de 60 quando surgiram os "Sound Systems", que eram colocados nas ruas dos guetos jamaicanos para animar bailes. Esses bailes serviam de fundo para o discurso dos 'toasters', autênticos mestres de cerimônia que comentavam, nas suas intervenções, assuntos como a violência das favelas de Kingston e a situação política da Ilha, sem deixar de falar, é claro, de temas mais prosaicos, como sexo e drogas. No início da década de 70 muitos jovens jamaicanos foram obrigados a emigrar para os EUA, devido a uma crise econômica e social que se abateu sobre a ilha. E um em especial, o DJ jamaicano Kool Herc, introduziu em Nova Iorque a tradição dos "Sound Systems" e do canto falado, que se sofisticou com a invenção do scratch, um discípulo de Herc. O primeiro disco de Rap que se tem notícia, foi registrado em vinil e dirigido ao grande mercado (as gravações anteriores eram piratas) por volta de 1978, contendo a célebre "King Tim III" da banda Fatback.
O Movimento com a Palavra Veteranos, como Nelson Triunfo, falam de sua experiência. Ele lembra dos primórdios do movimento na década de 80, quando começaram a dançar o passo moonwalker, popularizado por Michael Jackson. Mano Brown, que há anos lidera o grupo de rap mais popular e polêmico do Brasil, os Racionais Mc's, também fala no documentário. Ele, que é considerado um ídolo, mas acima de tudo, um sobrevivente; lembra que seus contemporâneos que se envolveram com o crime e as drogas, morreram. O Grito da Periferia dá a palavra aos jovens ligados ao Hip Hop. Eles comentam como os dançarinos de break não usam drogas, porque elas prejudicam os movimentos, e como o Hip Hop é uma cultura politizada. Simone da posse Negroatividades afirma: "O pessoal canta aquilo que ele sofre e vê todo dia".
September 13 Citação Poema do Homem Perfeito
Poema do Homem Perfeito
O homem perfeito é lindo; tem um pouco de mistério; é belo quando está rindo, é belo quando está sério.
O homem perfeito é bom, tem um jeito carinhoso; quando fala, em meigo tom, causa arrepio gostoso.
O homem perfeito é fino, é solícito, é fiel, tem a graça de um menino e é mais doce que o mel.
O homem perfeito adora dar flores, botões de rosa, a alguma senhorita ou a uma velha senhora.
O homem perfeito tem energia, não se cansa: lava louça, cozinha bem, gosta muito de criança.
O homem perfeito é sensível à grande arte; gosta de dança e ballet. Nunca haverá de magoar-te.
Encerrando, finalmente, os versos que perpetuei, se existir um homem perfeito o filho da puta é gay.  July 19 Citação NÓS SOMOS MESMO MARAVILHOSAS!!!
- você não prescisa ser perfeita para ouvir assobio na rua... basta por uma saia mais curta - somos o lado vistoso do dismorfismo sexual. -Existem várias roupas que modelam nosso corpo - 98% da industria de cosméticos é voltada para nós - 89% da industria da moda idem - podemos usar tanto rosa quanto azul - não somos obrigados a usar sempre o mesmo modelito numa festa backtie - pés femininos têm direito até a fã-clube - sentar de pernas fechadas não dói - podemos ir para o trabalho de bermuda e sandálias - Se resolvermos exercer profissões predominantemente masculina ,somos pioneiras. -Se um homem resolver exercer uma profissão tipicamente feminina,é gay - Podemos faltar o trabalho por motivo de mestruação - Se matarmos alguém ,e provarmos que foi na tpm é atenuante -Nosso cérebro da conta do mesmo serviço,mesmo com 3 bilhões de neurônios a menos (ou seja,nossos neurônios são mais eficientes) - somos capazes de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo -Mulher de embaixador e embaixatriz,marido da embaixador não é nada - Mulher de presidente é primeira Dama,marido de presidenta é um zero a esquerda - Não somos obrigadas a servir o exercito - Não prescisamos ir à guerra - Podemos ficar exitadas sem que ninguem perceba - Não broxamos - Uma greve de sexo consegue qualquer coisa - A idade não atrapalha nosso desempenho sexual - Se somos traidas somos vitimas,se traimos eles são cornos - Podemos fazer sexo quantas vezes por dia quizermos - Somos nós que somos carregados na noite de núpcias - Sentimos o bebê mexendo - As crianças sempre dizem mamãe primeiro - Sempre sabemos que o filho é nosso - Temos 4 meses de licença maternidade - Mulher grávida não entra em fila - Em caso de divórcio recebemos pensão e ficamos com a guarda dos filhos - Somos monogânicas(embora precisamos testar vários homem pra achar um que valha a pena) - Somos a estrela do casamento - Alguém já ouviu falar de "Muso Inspirador"? - A programação da TV e 90% voltada para nós - Não nos desesperamos em frente a um campo de grama com 1 bola e 22 mulheres - Se nós agitamos em frentea um campo de grama com 1bola e 22 homens provavelmente não é por causa do jogo... - Não ficamos carecas - Não sofremos de fimose -Temos direitos iguais -Não pagamos a conta no máximo rachamos - Vivemos mais - Somos mais resistentes à dor e a infecções - temos menos Problemas Cardíacos - Suamos menos - Dirigimos melhor - Seguro de automovel é mais barato p/mulheres - Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamados de lesbicas - Somos as primeiras reféns a serem libertadas - Temos prioridade em botes salvas vidas - Temos melhor coordenação motora - Em caso de rejeição temos mais classe - Temos um dia internacional - E por último: fazemos tudo o que um homem faz,e de salto alto!!
July 13 O futuro da Igualdade Racial é hoje
Diversidade - Cartaz oficial da Conferência. O Brasil viveu na semana passada um dos seus momentos históricos mais importantes dos últimos anos na área da Promoção da Igualdade Racial com a realização da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, primeiro evento desta natureza convocado pelo Governo Federal por meio da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) e organizado em parceria com os governos estaduais, municipais e sociedade civil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou mais uma vez a Promoção da Igualdade Racial como uma forma de garantir uma agenda democrática e isto é papel de Governo atuar para a sureração do racismo e o machismo. Reforçou a importância das Secretarias Especiais. A Conferência reuniu toda a diversidade populacional que forma este País. Profissionais de comunicação da mídia alternativa marcaram presença e difundiram informações pelos mais diversos meios. Os profissionais do sistema Radiobrás cumpriram o seu papel e captaram, de forma exemplar, o que se passava em Brasília. Comunicação Social é isso também. Todos os representantes da mídia presentes registraram uma bonita página da nossa história. Embora na grande mídia o tema não tenha adquirido a visibilidade necessária, salvo honrosas exceções. Os principais momentos do evento foram transmitidos ao vivo, inclusive pela internet por conta do profissionalismo e esforço dos técnicos de TI (Tecnologia da Informação) do Ministério da Saúde. O monumental Centro de Convenções Ulysses Guimarães, cedido pelo GDF (Governo do Distrito Federal), foi o cenário de tal encontro que, em determinados momentos, parecia um mosaico de diversidade, dada a variedade de grupos e subgrupos de negros, ciganos, indígenas, árabes, palestinos, judeus, caboclos. Todos eles interessados em resolver as mazelas que insistem secularmente em embotar seus cotidianos. As mulheres negras, com sua luta por dignidade e respeito, ocuparam os espaços que pleiteiam pode-se dizer há séculos. Mostraram a sua cara e realçaram suas proposições para o governo e sociedade civil. Os jovens com a sua energia e capacidade de inovação mostraram a necessidade da intensificação urgente de um sistema educacional digno e que aponte para um futuro melhor. Os representantes das religiões de matriz africana denunciaram que não é mais aceitável a perseguição e o preconceito que sofrem por amplos setores, inclusive empresas de comunicação, que se esquecem de que fazem uso de uma concessão do Estado, e por isso deveriam trabalhar mais acentuadamente para a democracia e não para reafirmar preconceitos. Enfim, a população negra no Brasil deu mostras claras de que não tolera mais a hipocrisia de uma sociedade que insiste em afirmar que o racismo, o preconceito e a discriminação no Brasil são coisas do imaginário de radicais do movimento negro. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia), do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e de agências da ONU (Organização das Nações Unidas) escancaram essa situação que, mesmo depois de 117 anos da abolição da escravatura, não registrou mudanças na qualidade de vida deste povo para cá trazido da forma mais cruel possível. Mesmo assim, sonham em usufruir das imensas riquezas aqui produzidas e nunca distribuídas. Os povos indígenas, vítimas de um dos maiores genocídios da história da humanidade, reafirmaram que precisam de toda infra-estrutura e oportunidades para uma vivência com cidadania. Os povos ciganos que aqui chegaram em 1574 até hoje são tratados como "suspeitos", não têm direito ao acesso à mínima vida cidadã. Registro de nascimento, carteira de identidade e todos os documentos, disponíveis de alguma forma para uma grande parcela da população brasileira, é o que eles mais querem. Além disso, precisam ter acesso aos serviços públicos essenciais. Os judeus e os palestinos fecharam um acordo de paz no Brasil e também em outras partes do mundo. A ação foi mediada pelo Governo Federal e do Movimento Negro. A magistral Leci Brandão deixou claro em seu discurso, na abertura do evento, que as ações são urgentes e toda a sociedade deve estar envolvida. Ela falou como representante da sociedade civil, por meio do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial). Merecidamente foi aplaudida longamente. A 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial teve o mérito de reunir sociedade civil e Estado em busca de soluções para os povos discriminados deste País, ou seja, a maioria da população. É preciso agora se debruçar sobre as centenas de decisões tomadas pelos delegados e traçar um Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial e Étnica que contemple os vários pleitos. Mais que isso, é necessário que o Governo encare isso como missão primeira de suas políticas. Não é mais necessário esperar pelo futuro, pois ele já chegou, e agora é hora de executar as medidas que foram apontadas. Esse com certeza será um caminho seguro para o Brasil torne-se realmente um País de Todos, pois não há democracia com racismo. *Ministra Matilde Ribeiro é secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (voltar) Caldeirão da diversidade brasileira toma Brasília na busca de seus direitos em evento histórico por Isabel Clavelin Marco - Abertura solene teve apresentações culturais e reuniu cerca de 3.000 pessoas no auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Foto: Carlos Tibúrcio/Redactor Ao longo de seis meses, o Brasil se rendeu ao debate sobre a promoção da igualdade racial envolvendo os grupos étnicos discriminados de negros, indígenas, ciganos, árabes-palestinos e judeus. Num capítulo inédito da história nacional, o país trouxe a tona um passado e um presente racistas, apontando estratégias de superação das desigualdades raciais para um futuro mais humano, justo e solidário, calcado no respeito à diferença. Presente nas 26 conferências estaduais e na do Distrito Federal, a ministra Matilde Ribeiro acompanhou as discussões e alicerçou a constituição dos Planos Estaduais de Promoção da Igualdade Racial, que estabelecem em nível local ações de acordo com a realidade de cada Estado. Além disso, firmou com governos estaduais e municipais termos de adesão ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, a fim de concretizar políticas públicas anti-racistas. O resultado dessa articulação, que movimentou em todo o Brasil 90 mil pessoas, transpareceu na 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ocorrida de 30 de junho a 2 de julho, em Brasília. Durante os três dias de encontro, o público lotou o Centro de Convenções. Foram 963 delegados (as), 365 convidados (as), 672 convidados não credenciados. O público era o mais diversificado e reuniu representantes governamentais e da sociedade civil, convidados e autoridades nacional e internacionais e imprensa. O público flutuante do evento passou dos seis mil pessoas. Numa verdadeira multiplicidade étnica, de gênero, idade e religião, a 1ª Conferência se caracterizou como um marco de um País que anseia novos rumos no que diz respeito à questão racial e que está aprendendo a tratar a temática de forma transversal, estabelecendo prioridades e a necessidade de trabalho conjunto entre ministérios, mantendo o diálogo com a sociedade civil. Nesta edição especial deste Destaque Seppir você confere as principais discussões da Conferência Nacional sobre gênero, trabalho, juventude, saúde, educação, religiosidade, comunicação e cidadania. Portas abertas - Mãe Beata de Iemanjá, (de amarelo, no centro), cercada de representantes das religiões de matriz americana, momentos antes de quebrarem o protocolo e saudarem o presidente Lula e a ministra Matilde Ribeiro com uma cantiga de Oxalá. Foto: Carlos Tibúrcio/Redactor Religiosidade afro-brasileira Com energia voltada contra a intolerância religiosa e para a conquista de direitos do "povo do santo", iyalorixás e babalorixás demarcaram espaço na 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial desde a sua abertura, quando romperam o protocolo da solenidade e desceram perfilados pelo acesso principal do auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães em direção ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Num ato emocionante, entoaram um cântico de saudação a Oxalá, orixá da criação e da paz, e deram benções ao presidente e à ministra Matilde Ribeiro em reverência à ancestralidade e divindades africanas. Divididos em três painéis simultâneos, religiosos de matriz africana apontaram como políticas emergenciais a sustentabilidade de terreiros, recuperação de espaços sagrados históricos e benefícios previdenciários, a exemplo de sacerdotes de outras vertentes religiosas. "Precisamos a partir da Conferência construir uma legislação na perspectiva do entendimento que temos de terreiro. Precisamos que a Seppir seja o instrumento da interlocução para acabar com o racismo e a intolerância no Brasil. Lutamos pela sustentabilidade das casas de axé e o levantamento do número real de terreiros que temos no Brasil, bem como o tombamento de alguns espaços religiosos", informa a equede do Obaluaê, Isabel Cristina Costa Ferreira Baltazar. Trabalho Participante do painel Trabalho e Desenvolvimento Social, Gevanilda Santos, da organização não-governamental paulista Soweto, considera como desafios para a população negra e governo a inserção no mercado de trabalho e melhores salários. "As políticas de ação afirmativa são um caminho porque focam os programas de capacitação para o trabalho e projetos de linhas de crédito. Nossa discussão apontou como prioritárias as questões de qualificação profissional, principalmente de jovens e mulheres negras, linhas de crédito e cooperativas voltados para responsabilidade social e criação de emprego e renda, além do perfil da população negra inserida no mercado de trabalho", aponta. Ativista do movimento negro, Gevanilda Santos acredita que as discussões na Conferência dão conta da luta por dignidade dos grupos étnicos discriminados. "A aplicabilidade do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial se refere à relação desses grupos com o Brasil. Temos que dialogar com esses setores para que possamos nos fortalecer enquanto maioria e buscar, no Congresso e Poder Executivo, para que os investimentos no campo social com recorte em gênero e raça possam nos favorecer", complementa Gevanilda Santos. Convidado das conferências estaduais do Espírito Santo, Pará, Maranhão e Alagoas, Hélio Santos destaca a riqueza do debate sobre a promoção da igualdade racial em Estados e municípios. "O que me impressionou é que vinham de conferências municipais. Notei uma capilaridade. Do ponto de vista da riqueza, não sei se conseguimos aproveitar toda a contribuição das conferências estaduais. É um momento rico e histórico do movimento negro", considera. Saúde A saúde da população negra representa um dos campos com maior avanço devido ao acúmulo de conhecimento científico produzido pela militância negra e de proposição de políticas públicas pelo Ministério da Saúde. A exemplo de encontros dirigidos, como o Seminário Nacional de Saúde da População Negra, realizado no ano passado, essa temática se reforça a cada encontro demarcando espaço, sensibilizando gestores e atores sociais, além de evidenciar a importância dessa área. "Como essa Conferência é um espaço legítimo e mais ampliado de discussão de políticas em relação à população negra, todo o material que sair daqui será mais um referencial para a atuação do Comitê", afirma Luiz Antônio Nolasco, subsecretário de Orçamento e Planejamento e coordenador do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde. Educação Tendo como pauta nacional a política de cotas e a implementação da lei 10.639, que institui na grade curricular do ensino fundamental e médio o ensino de História e Cultura da África e dos Povos Afrodescendentes, a educação se apresenta como uma das áreas com bandeiras definidas pela agenda do movimento social e com resultados iminentes. Na exposição de Eliane Cavalleiro, coordenadora-geral de Diversidade e Inclusão Educacional da Secad/MEC (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação), educadores e militantes anti-racistas verificaram o volume de ações para inclusão étnico-racial dos alunos. "Queremos fortalecer o trabalho interno do MEC para que se expanda e consiga mais recursos, a fim de que o ministério incorpore a educação étnico-racial. Agora, é a política que determina e estabelece prioridades. A questão é de que tipo de sociedade se quer falar aos professores e que tipo de aluno se quer formar. É uma mudança cultural profunda. Nesse sentido, o papel das comunidades escolares, educadores e movimento negro é decisivo para que se faça uma outra política educacional", reflete Amauri Mendes, doutor em História da África e docente da Universidade Candido Mendes. Comunicação Apesar da ausência de painel temático específico e com a sinalização de seminário nacional de Comunicação, a ser realizado pela Seppir em meados do segundo semestre, jornalistas e comunicadores negros convidados para a cobertura do Painel Internacional Ações Afirmativas e Objetivos do Milênio e da Conferência Nacional articularam um grupo propositivo de políticas de comunicação anti-racistas e estratégias de enfrentamento ao discurso discriminatório dos meios de comunicação de massa. A coordenadora de Comunicação de Geledés - Instituto da Mulher Negra, Nilza Iraci, explica a proposta: "Criamos um grupo informal entendendo que é fundamental discutir a questão da comunicação, haja vista a ignorância da mídia desses grandes eventos. Enquanto comunicadores e comunicadoras devemos pensar estratégias para romper essas barreiras e tentar trabalhar melhor com a mídia. Não podemos continuar tratando comunicação de forma displicente. As pessoas que se juntaram são profissionais experientes e querem contribuir voluntariamente para um política de estado de comunicação". Juventude Na ponta da desigualdade racial e social brasileira, a juventude negra demonstrou seu comprometimento com a construção de uma nação mais inclusiva e respeitadora das diferenças. Segundo uma das lideranças do movimento juvenil, Mafoane Odara dos Santos o debate abarca temáticas de saúde, trabalho, cultura e educação. A coordenadora da Rede Afro Jovem explica que o interesse no campo da educação vai desde a educação infantil por ser uma fase para construção da identidade étnico-racial, passando pelos cursinhos pré-vestibulares até a defesa da política de cotas no que se refere ao acesso, permanência e inserção profissional. Na saúde, a questão da mulher negra, direitos sexuais e reprodutivos, descriminalização do aborto, formação de profissionais e aperfeiçoamento do atendimento são debatidos pela juventude. As manifestações culturais étnicas, financiamento para projetos culturais e o subemprego da juventude também estão na pauta dos jovens ativistas. "Trazemos como bandeira a construção do diálogo entre todas as etnias, a deficiência, sobretudo por causa da violência urbana, as relações internacionais com retorno ao sentimento de América Latina e Caribe e a construção de uma pauta conjunta sobre a orientação sexual. Isso porque o movimento negro não discute a homofobia nem o movimento GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) a questão racial. Na Conferência, viemos para pautar a questão juvenil em todos os pontos colocados. Queremos ser sujeitos políticos e não apenas beneficiários das ações", afirma Mafoane Odara dos Santos. Quilombolas Dentro das prioridades da política social do Governo Federal, as comunidades negras rurais elencam como prioridades a regularização fundiária e o etnodesenvolvimento sustentável. Delegada maranhaense, Ana Emília Moreira Santos destaca outros pontos: "Como mulheres negras quilombolas, queremos os direitos que todas as mulheres têm: saúde, educação, trabalho. Entendemos que a diferença desta Conferência é tratar da questão de igualdade para todos e todas. Também não esquecemos da urgência de resgate da religiosidade de matriz africana, porque foi a religião que nos deu força para suportar a violência do sistema escravagista e a que sofremos nos dias de hoje", pontua a coordenadora-executiva da Associação de Comunidades Negras Rurais do Maranhão. Internacional A relatora da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata, Edna Roland, comenta o espaço garantido de diálogo sobre racismo e discriminação entre os grupos de negros, indígenas, ciganos, árabe-palestinos e judeus na Conferência Nacional. "Não há hierarquização entre as vítimas. Deve haver igual atenção. Disse aos grupos presentes que para a vítima do racismo a dor dela é a mais importante. Temos que considerar os problemas em pé de igualdade e a partir daí ter um diálogo fraterno. Houve momentos de tensão. Surpreendentemente a conversa pôde acontecer com muito respeito. Creio que foi bastante frutífero. Podemos produzir com capacidade de aproximação e de avanço de diálogo entre as diversas comunidades", informa Edna Roland sobre o debate gerado no painel Política Internacional. Panorama Geral Reconhecido internacionalmente pela sua contribuição ao cinema brasileiro, Joelzito Araújo percebe na realização da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial um esboço de um novo caminho na luta anti-racista brasileira. "Temos um evento histórico. Sou militante anti-racista e vejo que pela primeira vez no Brasil entrei em sala de discussão que não estávamos apenas nós, militantes negros anti-racistas. Estavam ciganos, indígenas, palestinos, árabes, judeus. Isso é um patamar diferente da discussão racial no Brasil. Do ponto de vista governamental, é um momento interessante da Seppir dar um salto no sentido de se consolidar como representação dessa diversidade. Acho que esse era o passo novo a ser dado", pondera. Indígenas apresentam suas propostas com texto de Érica Santana, da Agência Brasil Representantes das comunidades indígenas reivindicaram a criação de uma secretaria especial com status de ministério, vinculada à Presidência da República, para acompanhar as políticas e ações voltadas às suas populações. A proposta foi apresentada pelos delegados indígenas e aprovada no Grupo de Trabalho que discutiu políticas indigenistas. Os indígenas também reivindicam mais discussão para a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista. Segundo a relatora da proposta, Azelene Kaingang representante do Instituto Indígena Warã no CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial), a criação desse conselho atende a proposta do Abril Indígena e ele terá a participação da sociedade civil, dos povos indígenas e do governo. Os representantes indígenas apresentaram 125 propostas durante a Conferência. Ciganos saem do anonimato em busca de direitos com texto de Juliana Cézar Nunes, da Agência Brasil As principais propostas apresentadas pelo povo cigano durante a Conferência reivindicam do governo adaptações nos sistemas de saúde e educação para garantir um atendimento adequado às comunidades. Representante da Associação de Preservação da Cultura Cigana, Yaskara Guelpa conta que só agora os gestores públicos estão reconhecendo as características especiais do povo cigano e se dispondo a discutir políticas públicas. "Até pouco tempo, eles não concordavam em sequer nos receber nos gabinetes. Agora, estamos sendo ouvidos com mais freqüência", afirma Guelpa. De acordo com ela, na área da saúde, os ciganos querem mais compreensão para o fato das mulheres só aceitarem atendimento ginecológico de médicas. A resistência dos postos e hospitais a essa exigência cultural estaria obrigando muitas mulheres a morrer por complicações no parto ou desenvolver doenças que poderiam ser prevenidas. Em educação, o grande problema é a matrícula das crianças em idade escolar. Os grupos nômades têm o costume de mudar o acampamento de três em três meses. Com a demora no processo de matrícula, muitas crianças ficam sem estudar. Aquelas que conseguem a matrícula, muitas vezes são discriminadas em sala de aula pela falta de entendimento dos próprios professores sobre os hábitos ciganos, avalia Guelpa. Comunidades judaica e palestina ajustam os ponteiros Ao final de uma intensa negociação entre as delegações judaica e palestina, mediada por representantes da Seppir e do CNPIR, a Conferência presenciou um momento ímpar em seu último dia, durante a plenária geral. Integrantes da Conib (Confederação Israelita do Brasil) e da Copal (Confederação Árabe Palestina do Brasil) chegaram a um acordo, em que as moções e resoluções anteriormente definidas foram substituídas por três textos. Anita Schuartz, da Conib, e Emir Murad, da Copal, ambos integrantes do CNPIR, subiram juntos ao palco acompanhados de negros e ciganos, além de representantes do Ministério das Relações Exteriores, que ajudaram a mediar o diálogo. Farid Suwwan, presidente da Copal, colocou o kefia palestino nos ombros de Sérgio Niskier, da Conib do Rio de Janeiro, que retribuiu colocando uma kipá judeu em Suwwan. O gesto foi aplaudido pelo plenário. A ministra Matilde Ribeiro discursou emocionada, ressaltando a importância daquele momento e o exemplo de convivência pacífica registrada no Brasil. Ela também usava o kefia e a kipá. O público todo se levantou e entoou conjuntamente o hino nacional brasileiro. UMA PROGRAMAÇÃO INESQUECÍVEL 30 de junho 9h - Credenciamento 15h30 - Ato de abertura: presença de autoridades federais, estaduais e municipais; autoridades e representações internacionais; representantes de organizações não-governamentais, movimentos sociais nacionais e internacionais; representantes de empresas públicas e privadas. Atividades culturais nacionais 17h - Mesa Redonda: Políticas de promoção da igualdade racial e de ações afirmativas Agnelo Queiroz - Ministro dos Esportes Humberto Costa - Ministro da Saúde Matilde Ribeiro - Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Miguel Rosseto - Ministro do Desenvolvimento Agrário e Regularização Fundiária Nilcéia Freire - Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres Patrus Ananias - Ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome Ricardo Berzoini - Ministro do Trabalho e Emprego Debatedores: Representantes do CNPIR Coordenadores: Seppir e CNPIR 20h - Mesa Redonda: Diálogo sobre políticas culturais na América e no Caribe Edgard Telles Ribeiro - Diretor do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores - Brasil Hector Huertes Gonzales - Presidente do Conclave Povos Indígenas das Américas - OEA (Organização dos Estados Americanos) Jesus Alberto "Chucho" Garcia - Presidente da Rede Afro-Venezuelana Rafael Bernal Alemany - Primeiro Vice-Ministro de Cultura de Cuba Sheila Walker - Antropóloga e diretora da ONG Afro-Diáspora, professora do Spelma College de Atlanta - EUA Coordenador: Sérgio Mamberti - Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura 22h - Exibição do filme Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo 1o de julho 8h - Aprovação do Regimento Interno 9h - Mesa redonda : Identidade nacional, política e legislação para a superação do racismo Azelene Kaingang - Instituto Warã/Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial Clare Roberts - Presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA Hédio Silva Junior - Secretário da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo Luiz Dulci - Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Nilmário Miranda - Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos Paulo Paim - Senador da República e Presidente da Subcomissão da Igualdade e Inclusão do Senado Federal Reginaldo Germano - Deputado Federal, relator, em 2002, da Comissão Parlamentar do Estatuto da Igualdade Racial Debatedores: Representantes do CNPIR Coordenação: Seppir e CNPIR 11h15 - Painéis simultâneos: . Políticas de Trabalho e Desenvolvimento Econômico . Políticas de Educação . Políticas de Saúde . Políticas sobre Diversidade Cultural . Políticas de Direitos Humanos e Segurança Pública . Políticas para Comunidades Remanescentes de Quilombos . Políticas para Povos Indígenas . Políticas para Juventude . Políticas para Mulheres . Política Internacional . Religiões de Matriz Africana . Fortalecimento das Organizações Anti-Racismo 14h30 - Debate sobre o Estatuto da Igualdade Racial Coordenação: Seppir, CNPIR e Frente Parlamentar pela Igualdade Racial do Congresso Federal 16h30 - Grupos de Trabalho de acordo com os eixos estruturantes da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial e Texto-base debatido nas conferências estaduais 2 de julho 8h - Plenária geral 18h - Encerramento 20h - Programação cultural (voltar) Transmissão em tempo real pela internet bate recorde A internet decididamente tornou-se ferramenta de ponta quando se fala em comunicação. E os internautas que não puderam estar em Brasília acompanharam atentamente a movimentação na 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. A transmissão em tempo real do evento pela rede registrou mais de 6.000 acessos. Segundo Maurício Peixoto Aguiar, analista de sistemas do DataSUS (Departamento de Informação e Informática do SUS), órgão da secretária-executiva do MS (Ministério da Saúde), responsável pelas videoconferências e transmissões em tempo real do ministério e da Conferência, o acompanhamento foi excepcional. "Dos eventos já transmitidos com o suporte da nossa tecnologia, esse foi um dos que as pessoas permaneciam por mais tempo conectadas depois de acessá-lo, principalmente durante a abertura e a plenária geral. Os internautas ficavam horas conectados, graças à dinâmica dos acontecimentos", afirma Aguiar. Ele diz ainda que 90% dos acessos foram efetuados pelo site da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), no que foi o maior número de visitações à página da secretaria até hoje. Disponibilizada nos sites da Seppir (www.presidencia.gov.br/seppir) e do MS (www.saude.gov.br/emtemporeal), essa foi a maior audiência entre eventos transmitidos pelo ministério num final de semana. A equipe de transmissões em tempo real do DataSUS já havia sido parceira da Seppir no 1º Seminário Nacional de Saúde da População Negra, realizado em agosto do ano passado. O seminário registrou cerca de 3.000 acessos. (voltar) "Todas as pessoas querem viver dignamente na terra onde nasceram", afirma Leci Brandão em discurso Ovação - Leci Brandão emocionou o público com seu discurso de abertura e terminou apludida de pé pela platéia que lotava o auditório. Foto: Carlos Tibúrcio/Redactor Leci Brandão fez seu discurso de abertura em nome dos povos representados no CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) - negros, indígenas, ciganos, árabes-palestinos e judeus. Leia a íntegra: "Deus continua sinalizando para mim que estou passando por aqui para cumprir missões. Os companheiros e companheiras do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial da Seppir me indicaram para falar pela sociedade civil. É tarefa de grande responsabilidade pelo fato histórico deste momento. É a primeira vez que na história do Brasil que um governo cria uma Secretaria voltada para as questões raciais e não podemos esquecer que esta ação é resultado da luta do movimento negro. A importância da Seppir é ainda maior na medida em que compõe um Conselho também com representação dos povos indígenas, caboclos, ciganos, judeus, árabes e palestinos. Todos juntos na construção de mecanismos de combate à discriminação racial e étnica e na luta pela dignidade de vida das cidadãs e cidadãos brasileiros. Por essa razão, entendo que esta Secretaria não pode nem deve perder o status de ministério, caso contrário, será um grande retrocesso. Quando o nosso país foi descoberto, os que aqui chegaram já encontraram os povos indígenas, os verdadeiros donos da terra. E o que fizeram com esses povos? Pois é. Pela primeira vez na história do Brasil povos indígenas encontram um lugar para falar do doloroso processo de genocídio, resultado do colonialismo, o maior gerador de discriminação contra esses povos. As vozes dos indígenas serão ouvidas neste lugar. Depois chegaram nossos ancestrais africanos acorrentados nos navios negreiros. Recentemente, sr. Presidente, Vossa Excelência esteve na África, na Ilha de Gorée e entendeu o significado da escravidão. Ainda há pouco eu falava em cidadania e não posso esquecer que o povo cigano não tem direito de ser cidadão brasileiro. Eles não têm certidão de nascimento tampouco carteira de identidade. Eles precisam ter esses direitos! Todas as pessoas querem viver dignamente na terra onde nasceram. A paz se faz com justiça. Nós, brasileiros, entendemos que não deve haver muros segregando e separando povos. Não deve ser perpetuada a separação entre judeus e árabes, israelenses e palestinos. Ontem, na TV, vimos a cara do Brasil que o mundo gosta de ver. Vitória da Seleção Brasileira sobre a Argentina e no final muito samba. O locutor dizia: é bom ser brasileiro. Que coisa boa, não é? Mas será que o povo brasileiro continua querendo só isso? Tenho certeza que não. As mulheres que fazem parte deste povo querem respeito, desenvolvimento e liberdade. O povo quer saúde, educação, emprego, segurança, moradia até porque ele tem esse direito, já que os recursos públicos pertencem aos eleitores. Mas quem é da comunidade não sabe o que é PIB, taxa Selic, superávit primário. Entretanto, é necessário que alguém conte para o nosso povo que o Brasil está mudando. Antes só se falava em cara-pintada. Hoje se fala em cara negra, cara indígena e cara de gente humilde nas salas das universidades. As cotas estão aí. Antes a gente só estudava História Geral. Hoje as escolas ensinam a História da África e dos afrodescendentes. É a lei 10.639. Antes só se conhecia o Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Hoje se sabe da existência de mais de 1.700 quilombos por todo o Brasil e os quilombolas já estão recebendo a titulação e a demarcação das terras ocupadas. Em outras épocas, somente os artistas intelectuais faziam música de protesto. Hoje, apesar da polícia covarde perseguir e matar jovens negros inocentes, a juventude negra resiste através do rap e do Hip-Hop e mostrando músicas mais politizada e realista deste país. Através da Seppir eles conquistaram a Secretaria e o Conselho da Juventude Negra. Sabemos que o governo federal dá a concessão para os canais de TV funcionarem. Não dá para aceitar mais os espaços ocupados para desrespeitar e agredir as religiões afro-brasileiras. Muito mais que perdão, é preciso que o Estado brasileiro reconheça a importância das religiões de matriz africana na formação deste país. A ancestralidade tem de ser respeitada. Quero finalizar reconhecendo o trabalho da ministra Matilde Ribeiro que compareceu às 27 conferências estaduais, onde conversou com governadores, prefeitos, deputados, vereadores, organizações não-governamentais na busca de parcerias. A partir de amanhã, o que se espera desta 1ª Conferência é que tudo que aqui for aprovado seja efetivamente cumprido. Espero em Deus que o resultado da Conferência possa contribuir para que seja aprovado no Congresso Nacional o Estatuto da Igualdade Racial, incluindo o capítulo IV, ou seja, o Fundo Nacional da Igualdade Racial. Não se faz política pública sem verbas. Sr. Presidente, quero agradecer a atenção que Vossa Excelência nos deu no dia 22 de junho, reafirmando que não seriam extintas as secretarias de Promoção da Igualdade Racial, das Mulheres e dos Direitos Humanos. Sabemos que a economia do país vai muito bem. Mas é preciso que a sociedade civil, os movimentos sociais sejam ouvidos. Afinal, fazemos parte deste momento histórico que foi reconhecido por todo o mundo. Desejamos, sinceramente, nos próximos cinco anos, continuar chamando o companheiro Lula de sua Excelência, o Presidente da República. Mas nossa luta continua. Fiquem com Deus!" (voltar) Para ministra, "programas e projetos reforçam comprometimento com a igualdade e a democracia" Peregrina - Ministra Matilde Ribeiro considera que o processo preparatório da Conferência ampliou debate sobre igualdade racial em todo País. Foto: Carlos Tibúrcio/Redactor Confira a íntegra do discurso de abertura da secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro: "Boa tarde! Sejam bem vindas todas as pessoas presentes a esta 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Neste momento saúdo todas as autoridades presentes. Foi com muita responsabilidade e predestinação que a equipe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e os integrantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial planejaram e construíram esta Conferência, que tenho o privilégio de fazer esta abertura solene. Inicio agradecendo a confiança que o Senhor Presidente República Luiz Inácio Lula da Silva depositou em minhas mãos, para conduzir o processo de construção da 1ª Conapir e da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Recordo-me de três conselhos que recebi no momento de instalação da Seppir. O primeiro foi por parte de um sábio amigo e companheiro, Abdias do Nascimento, que me disse que "Não se faz omelete sem quebrar ovos!". Os outros dois, recebi do presidente Lula, que ponderou que eu deveria "pedir licença aos meus colegas ministros para entrar em suas salas, apenas por uma questão de educação" e também que eu deveria ser "uma peregrina na Esplanada dos Ministérios". Assim o fiz. Assumi esse desafio, vivenciando e administrando a diversidade racial existente em nosso País, com nossos encontros e conflitos. Hoje, a Seppir e a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial são realidades que se expressam aqui, nesta 1ª Conapir. Este gratificante exercício cotidiano tem sido um passo importante para a consolidação de uma verdadeira democracia. Também agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para o sucesso deste evento, homens e mulheres, negros, indígenas, ciganos, judeus, árabes e palestinos, enfim, toda a sociedade civil que, convocada por seus dirigentes, entre os quais governadores e governadoras, prefeitos e prefeitas e parlamentares, gestores e militantes atenderam prontamente ao nosso chamado. Tenho dito, em diferentes situações, que a elaboração de uma Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial assemelha-se a diversas construções na vida da maioria dos brasileiros e brasileiras. Nós, nossos pais e avós, quando iniciamos a construção de nossas próprias casas, o fazemos passo a passo. Primeiro, compramos o terreno num bairro distante, depois os tijolos, areia e cimento - os materiais necessários para erguer a sua estrutura. A seguir, portas e janelas, até o acabamento. Contamos com mutirões de amigos e familiares, inclusive nos finais de semana e feriados. Muitas vezes as obras são realizadas mesmo com a família dentro de casa, ainda, muitas vezes, acudimos parentes no meio do caminho. Digo isso para que possamos entender o processo de inovação que passamos neste País. Assim, afirmo que a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial somente se constrói por meio da parceria e trabalho conjunto e integrado de vários segmentos, entre ministérios, fundações, instituições governamentais e não-governamentais, organismos internacionais de apoio e fomento e os diversos movimentos sociais. E esta prática, nestes dois anos e meio, tem feito toda a diferença, contribuindo para a mudança do quadro de desigualdade racial e social. Acredito que o grande ganho resultante destes quatro anos de gestão será o fortalecimento de uma agenda política nacional, que constrói os trilhos para a institucionalização e o aprimoramento de leis na consolidação de uma nação efetivamente democrática. Será o conhecimento dessa Política por parte das diversas autoridades locais, governadores, prefeitos e parlamentares, que intensifiquem as responsabilidades no tratamento das desigualdades causadas pela discriminação racial. Que neste caminho, seja compreendida, por todos nós, a necessidade de tornar esta política cada vez mais viável, assimilada no planejamento, na definição do orçamento e na ação cotidiana das administrações públicas em todo o País. A tarefa de inclusão da questão racial nas políticas públicas é bastante difícil de quantificar com resultados e números precisos e imediatos. Isto acontece justamente porque as ações neste campo ainda são muito pontuais. Mas, tenham certeza que estamos trabalhando muito e, embora esta política ainda esteja desabrochando, temos muitos resultados que são sentidos por aqueles que necessitam dessa mudança. Vejamos alguns exemplos: As comunidades quilombolas, símbolos de resistência e persistência por uma vida digna, tornaram-se prioridade da atual gestão do Governo federal. Já mapeamos cerca de 1.800 comunidades, sendo que a Seppir tem coordenado as ações do programa Brasil Quilombola, junto a diversos ministérios. No que diz respeito à estrutura para desenvolvimento destas comunidades, temos investido em saúde, educação, titulação de terras, reforma e construção de casas e escolas, ressaltando que foram tituladas, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, duas comunidades e outras 122 têm seus processos de regularização em andamento. Nas ações de alcance nacional, destacamos, a Educação, com o ProUni, que tem agregado negros e indígenas, com o destaque de 13 quilombolas inclusos em universidades neste ano, e a implementação da lei 10.639/03, que tem possibilitado àqueles que trabalham com educação a compreenderem um pouco mais a diversidade étnica e racial da nossa sociedade. Temos, ainda, o programa de anemia falciforme, reafirmado hoje por uma portaria com o Ministério da Saúde. E a revisão do Plano Nacional de Saúde, cada vez mais incluindo as especificidades da saúde da população negra, indígena, e de outras etnias. Na área do trabalho, ressaltamos o Plano Nacional para Empregadas Domésticas, visando garantir direitos previdenciários e de cidadania, considerando ser o maior setor profissional que agrega mulheres negras. Quero também destacar nossas parcerias de âmbito local, sem a qual seria impossível atuar de forma incisiva para ampliar as ações da Seppir. Hoje, o Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, uma instância criada para abrigar e fortalecer organismos semelhantes à Seppir nos diversos Estados e municípios, conta com a adesão de 337 municípios e 18 Estados. Destaco, ainda, nossas relações com outros países e continentes. Foram muitas viagens e acordos estabelecidos, sobretudo com os países africanos. Neste continente, 15 países foram visitados pelo presidente da República. Também reafirmamos nosso comprometimento com a Missão de Paz no Haiti, e o estreitamento de nossas realizações junto a diversos países da América Latina. Em meio a estas e tantas outras ações desenvolvidas por nós, aconteceu o processo de organização desta Conferência, acompanhada de perto, todas elas, por integrantes da Seppir e do CNPIR. Eu, pessoalmente, Senhor Presidente, estive nas 27 Conferências Estaduais e, nesta caminhada, assistimos e nos envolvemos com diversas manifestações culturais como a Congada, o Marabaixo, o Tambor de Crioula, o Batuque, o Samba de Roda, a Capoeira, as diversas danças e rituais indígenas, ciganas e tantos outros. Tudo isso significando alegria, criatividade e resistência dos diferentes grupos raciais que constroem o Brasil. Todo este processo foi fundamental para estabelecermos acordos novos e reforçar os antigos comprometimentos com as autoridades locais, para a elaboração e aprimoramento dos Planos Estaduais de Promoção da Igualdade Racial. Nas conferências estaduais participaram cerca de 90 mil mulheres e homens, representando as etnias que compõem as histórias dos Estados Brasileiros. Desse montante, foram indicados 1.136 delegados, representantes do poder público e da sociedade civil. Hoje, podemos afirmar que, nos processos estaduais, houve reencontro e renovação da militância, e que aqui encontram-se presentes antigos e novos militantes pela causa da igualdade racial. Podemos avaliar também esta Conferência como um apontamento estratégico para uma reflexão sobre a política internacional. A mostra disso foi Painel Internacional Ações Afirmativas e os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, que aconteceu dias 28 e 29, reunindo convidados nacionais e internacionais comprometidos com os direitos humanos, a cidadania e a uma cultura de paz. Neste painel participaram ministros, embaixadores, parlamentares, pesquisadores e ativistas políticos. Destaco a presença das ministras de Senegal, Cameroun, Guiné-Bissau e o vice-ministro de Cuba. Todos os convidados, com suas experiências profissionais e pessoais, mostram, cotidianamente, que a construção de um mundo mais humano, sustentável e igualitário está nas nossas mãos. Durante este painel foram realizadas reflexões sobre a realidade de paises e continentes que, a exemplo do Brasil, lutam para transformar exclusão em desenvolvimento, e também reafirmadas ações futuras, como a Conferência Regional das Américas, em dezembro de 2005, e a 2a Conferencia de Intelectuais Africanos e da Diáspora, em 2006, ambas a serem sediadas pelo Brasil. Falar sobre esta 1a Conferência e de todo o seu processo preparatório, é algo de magnífico, pois este evento é inédito não apenas para a população negra, mas para todo o Brasil, uma vez que a desigualdade e racismo, tanto quanto a inflação ou a falta de saneamento básico, atrapalham o processo de crescimento e desenvolvimento de uma nação. Sem contar que não combina em nada com democracia. As diversas manifestações de indignação, mas também de orgulho e pertencimento, foram fundamentais para construir esta conferência. Estas manifestações trazem a verdadeira história de povos que construíram esta nação. É justamente por isso que a Conferência Nacional não pode ser um fim em si mesma. Este evento que se inicia hoje consolida um longo e participativo processo, que envolveu todo o território nacional, reafirmando as especificidades de cada local. As diversas ações, programas e projetos realizados reforçam nosso comprometimento com a igualdade e a democracia. Tudo isso faz parte do Ano Nacional da Igualdade Racial, decretado pelo Senhor Presidente da República em 31 de dezembro de 2004. Espero que esta Conferência seja realizada com o mesmo brilho, dedicação e compromisso demonstrado durante os processos organizativos das conferências estaduais, regionais e municipais. Temos pela frente mais 18 meses nesta gestão. Que este processo histórico de muitos de nós que estamos aqui, e daqueles que lutam conosco há muitos anos, décadas e séculos, possa ainda gerar muitos frutos... Que daqui sejam retiradas proposições que incrementarão e inovarão ações para a consolidação da Política de Igualdade Racial. Desejo, ainda, que todas as idéias, festividades, discussões, palestras, danças, e debates que assistiremos aqui sejam de grande valia para o combate ao racismo e superação das desigualdades. Obrigada a todas e todos, Que tenhamos uma ótima Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial." (voltar) "Nós temos orgulho de viver em um País que se destaca por sua profunda diversidade étnica", diz Lula Caminho - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância das ações em educação, saúde, regularização fundiária para quilombolas e exaltou a diversidade nacional. Foto: José Cruz/Abr Leia íntegra do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Conferência. "Minha querida companheira Matilde Ribeiro, secretária especial de Política de Promoção da Igualdade Racial, Meus queridos companheiros ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores; Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Agnelo Queiroz, dos Esportes; Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário; Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República; José Fritsch, da Agricultura e Pesca, Nossa querida Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Política das Mulheres, Meu caro companheiro, governador Waldez Góez, governador do Amapá, Meus queridos companheiros senadores, deputados federais e estaduais, Senhores membros do Conselho Nacional de Política de Igualdade Racial, Meu querido companheiro Abdias do Nascimento, Minha querida companheira Benedita da Silva, Meus caros companheiros participantes da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Meus amigos, Minhas amigas, Senhores e senhoras, Companheiros e companheiras, Esta 1ª Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, pela forma como foi preparada - 27 Conferências estaduais com a intensa participação de mais de 90 mil pessoas - e pelo que significa na história do nosso país, já é, por si mesma, uma grande vitória de todos os que lutam pela igualdade racial. Uma vitória de que há muito tempo o Brasil precisa, e que a consciência democrática da sociedade, em especial a do nosso povo negro, sempre buscou. Vejo com muita alegria que também participaram desse belíssimo processo de debates, e estão aqui presentes, representantes de muitos segmentos que compõem a riqueza da nossa multiplicidade étnica: indígenas, ciganos, árabes, palestinos, judeus, pernambucanos de Caetés, como eu, e tantos outros do nosso país. Tem até mineiro aqui; tem até baiano; tem até gente do Rio de Janeiro; tem gente do Rio Grande do Sul; tem gente de Santa Catarina; tem gente... de onde mais? Tem gente da Bahia; tem gente de Sergipe; tem gente de Alagoas; tem gente da Paraíba, do Rio Grande do Norte; tem gente do Ceará, do Piauí, do Maranhão, do Amapá, de Roraima, do estado do Amazonas, do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul; de Rondônia, do Acre. Até de Fernando de Noronha tem gente aqui. Tem gente de outros países, tem gente do DF e tem gente de São Paulo aqui presente. Nós sabemos que o preconceito e a discriminação racial no nosso país têm uma longa história. O Brasil foi a maior potência escravocrata do mundo colonial, a última nação do planeta a abolir o tráfico humano. Quase 4 milhões de vidas - 40% do comércio mundial de escravos - foram desembarcadas aqui para erguer um império feito de açúcar e açoite. Foi uma longa noite de 300 anos. A sombra da escravidão cobriu quase 70% da nossa história. E alimentou uma economia exportadora que moía cana e gente com igual eficiência e produtividade. Esse sistema canalizou a riqueza para uma elite poderosa e cavou um abismo social que até hoje marca a vida nacional. E a verdade é que essa desigualdade secular trava o desenvolvimento; concentra riquezas e oportunidades nas mesmas mãos; condena o país a viver o seu potencial pela metade. A questão negra e quilombola é a herança mais visível desse passado. Um passado que cobra, por isso mesmo, a reinvenção do futuro, com a mesma dose de coragem e humanismo que tiveram os abolicionistas e os libertários, negros e brancos, do século 19. Por isso, a promoção da igualdade racial é, para nós, além de um compromisso ético, uma diretriz política e econômica de desenvolvimento. Meus companheiros e minhas companheiras, Estamos, juntos, governo e sociedade, empenhados em superar essas heranças históricas. Foi por isso que criamos, no início do governo, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com status de ministério, para transformar nosso anseio comum de justiça em políticas públicas efetivas. Pelas razões históricas que relembrei e pela importância da população negra no Brasil, a Secretaria tem o seu foco principal nos problemas dessa etnia. Mas não só. Qualquer parcela da população que seja vítima de discriminação racial tem recebido, e continuará recebendo, a devida proteção e atenção da Secretaria. Os povos indígenas, por exemplo. Eles conquistaram há muito tempo um espaço próprio na administração federal e têm conseguido fazer valer seus direitos com o apoio de amplos setores da nossa sociedade. É isso que a companheira Matilde, ministra que está à frente da Seppir e sua equipe, vem fazendo com dedicação, realizando ações integradas e agindo em conjunto com os Ministérios e governos estaduais e municipais por todo o Brasil. Isso significa, além de medidas administrativas concretas, um constante trabalho de alerta, de conscientização e de articulação para dar cada vez maior visibilidade a essa causa. Vejam, por exemplo, a situação das comunidades remanescentes dos quilombos, que vivem até hoje em terras nas quais viveram e lutaram seus antepassados. Trata-se de uma situação extrema, mas sem dúvida reveladora do destino do povo negro no nosso país. O Estado brasileiro praticamente as desconhecia. Estimava-se que existiam cerca de 750 dessas comunidades. Para fazer o trabalho que estamos fazendo, era necessário que tivéssemos informações precisas. Tomamos, portanto, a decisão de fazer um mapeamento sério e rigoroso dos quilombolas em todo o país. Hoje, concluído o trabalho feito pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, liderado pelo nosso companheiro Miguel Rossetto, foram localizadas e identificadas 1.800 comunidades remanescentes dos quilombos, que agora passaram a ser consideradas de fato nas políticas sociais brasileiras. Uma das reivindicações principais dessas comunidades é a regularização de suas terras. Por isso, ao mesmo tempo em que estamos avançando nesse trabalho, e queremos torná-lo cada vez mais ágil, o Incra está modernizando os processos administrativos para facilitar essa tarefa. Além disso, temos procurado assegurar um conjunto de direitos de cidadania - educação, saúde e infra-estrutura - a essas comunidades. O objetivo é melhorar a qualidade de vida em todas elas. Suas famílias estão tendo a máxima prioridade na expansão do Programa Bolsa Família, coordenado pelo companheiro Patrus Ananias. Comunidades no Pará, Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Goiás estão sendo incluídas no cadastro único e já começam a receber os benefícios. Estamos também distribuindo, este ano, 32 mil cestas básicas para essas comunidades quilombolas. Com o Programa Luz Para Todos, estamos instalando energia elétrica em 151 comunidades quilombolas ainda neste ano. Em 2006, os benefícios chegarão a outras 128 comunidades. Com isso, nós vamos praticamente triplicar, em dois anos, a quantidade de comunidades que já contam com eletrificação rural. E quem nasce na cidade não dá nenhuma importância. Só dá importância quando acaba a luz. Mas quem nasceu no meio do mato sabe o que significa um bico de luz aceso durante a noite para facilitar a vida das pessoas. A Fundação Nacional de Saúde, a Funasa, está levando água tratada a 35 comunidades quilombolas e construindo banheiros em 15 outras. E o Ministério da Saúde destinou recursos extras para 55 municípios enviarem equipes de Saúde da Família aos antigos quilombos, praticamente dobrando a abrangência do atendimento a essas comunidades. O Ministério da Educação também aumentou o repasse da merenda escolar para alunos de comunidades quilombolas, beneficiando 44 mil crianças. E firmou convênios com 46 municípios para capacitação de professores e com outros 28 municípios para construção de escolas. Mas isso não é tudo. Entre outras, estão em andamento as seguintes medidas: construção e reforma de 1.200 residências nas comunidades quilombolas; implantação de sistema de abastecimento de água tratada e construção de 1.200 instalações sanitárias; atendimento médico-oftalmológico com fornecimento de óculos e realização de cirurgias a quem precisar, bem como capacitação de Agentes Comunitários de Saúde e distribuição de kits de saúde bucal; balcão de Direitos, para acelerar a documentação de toda a comunidade quilombola, possibilitando assim o acesso aos programas sociais, à aposentadoria, aos créditos destinados à agricultura familiar, entre outros benefícios; tele-salas para o ensino fundamental à distância também serão implantadas, bem como quadras e centros poliesportivos para que a comunidade quilombola possa viver com a dignidade que todo ser humano gostaria de conviver. Além de medidas destinadas a comunidades específicas, o governo tem trabalhado duramente para criar novas oportunidades para a população mais pobre do nosso país. É o caso do ProUni, que rompe o ciclo perverso em que pais e mães de família, que não puderam fazer curso superior, ocupam sempre os piores postos de trabalho e recebem os menores salários. Isto praticamente condena os seus filhos a não terem, também, as condições para cursar uma universidade. Este ciclo criou, ao longo de nossa história, verdadeiros grupos sociais de cidadãos e cidadãs sem universidade: jovens pobres, especialmente negros, indígenas, habitantes da periferia e portadores de deficiência física, entre outros. O ingresso no ensino universitário de mais de 110 mil alunos que não poderiam arcar com as mensalidades é, portanto, o primeiro resultado concreto do ProUni. E, dessas 112 mil vagas, aproximadamente 40 mil vagas são destinadas à população negra do nosso país que, possivelmente, tenha, nesse programa, a maior inclusão universitária já feita na história do nosso país. Mas seus grandes efeitos sobre a sociedade brasileira serão sentidos em alguns anos, quando os alunos do programa passarem a exercer suas atividades profissionais e a mudar, na prática, o perfil social de nosso país. E isso ocorrerá também porque, em cada universidade, há uma parcela de bolsas, proporcional à composição étnica de sua região, reservada para negros e indígenas. Essas cotas são trilhas republicanas de igualdade. Meus companheiros e minhas companheiras, Eu queria até prestar uma homenagem aqui à nossa companheira Nilcéa Freire que, reitora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, foi a primeira companheira a colocar o funcionamento das cotas na universidade estadual do Rio de Janeiro. E não foi fácil, porque o preconceito, ele só não é maior porque não está escrito na testa das pessoas. Se estivesse escrito na testa das pessoas, a gente saberia que o preconceito, neste país, é uma doença grave, porque o preconceito é contra o negro, o preconceito é contra o pobre, o preconceito é contra aqueles que pertencem... com menos possibilidade na escala social do nosso país. Quando nós fazemos uma Conferência como esta, e esta é a 12ª Conferência Nacional de que eu participo em 30 meses. Em todas as áreas do governo já houve conferência e todas com a participação de muita gente. E por que fazemos isso? Nós fazemos isso porque eu quero reafirmar, mais uma vez: a grande coisa que um governo pode deixar, depois que não for mais governo, é a consolidação da relação entre a sociedade e o Estado brasileiro, entre o Estado e a sociedade brasileira, para que os governantes não mudem aquilo que significou conquista da sociedade brasileira. É verdade que a companheira Leci Brandão disse aqui que essa Seppir é conquista do trabalho do movimento negro no país. Mas é verdade, também, que eu mal tinha amizade com a companheira, com a nossa querida companheira Matilde, e também foi o Movimento que a indicou para ser Ministra. Esta conferência é, também, um dos marcos do Ano Nacional de Promoção da Igualdade Racial e tem por objetivo construir um plano nacional de política de promoção da igualdade. Tenho certeza de que esse plano contribuirá decisivamente para que possamos aperfeiçoar o trabalho que estamos fazendo, para aperfeiçoar o trabalho que estamos fazendo juntos, avançando na superação do racismo por meio de políticas públicas e ações afirmativas, cada vez mais concretas. Nós todos temos um grande orgulho de viver em um país que se destaca cada vez mais no mundo por sua profunda diversidade étnica e convivência harmoniosa. Essa tendência, essa é a tendência que estamos aqui a reforçar. Quero dar os meus mais sinceros parabéns aos homens e às mulheres que vieram para cá, para participar desta conferência, aos homens e às mulheres que, como a Bibi, a Benedita e tantas outras, durante décadas e décadas, têm contribuído, com seu esforço, talento, persistência, para que a igualdade racial, no nosso país, torne cada vez mais substantiva a democracia brasileira. Quero encerrar minhas palavras, dizendo a todos os companheiros: é bem possível que, em um encontro como este, tenha e exista profundas divergências que nem a sociologia, nem a antropologia conseguiram ainda resolver. E é bem possível que esses temas apareçam aqui. O que eu queria pedir a todos os delegados e a você, companheira Matilde, é que as divergências, elas são a razão até da motivação da nossa própria luta. Nós, na verdade, agimos muito como um time de futebol. Parecia que tudo estava acabado quando perdemos da Argentina de 3 a 1, e ontem lavamos a nossa alma, ganhando o jogo de 4 a 1. Eu acho, e disse à Matilde, um terceiro conselho que ela não contou aqui. É que eu disse à Matilde: eu sei dos problemas que existem no Movimento Negro no Brasil inteiro, até porque já participei de muitos debates ao longo dessa militância política. Agora, Matilde, tem uma coisa concreta. Enquanto a gente fica discutindo as nossas diferenças, vamos tratar de fazer o que tem que ser feito em nível de políticas públicas para este país. Não vamos permitir que as divergências conceituais existentes entre nós façam com que a gente atrase para levar os benefícios para as pessoas mais pobres da periferia deste país, para as comunidades quilombolas, para as comunidades indígenas. Vamos fazer uma política de dois tempos, ou seja, vamos ter o tempo da discussão, o tempo de filosofar, o tempo de divergir, e vamos ter o tempo de construir coisas muito concretas, que é isso que o nosso povo está precisando. Eu tenho consciência de que nesta Plenária tem grande parte da grande qualidade das organizações do Movimento em todo o território nacional. Portanto, cabe a todos que estão aqui a responsabilidade de dizer ao Brasil, de dizer ao Presidente da República, e de dizer ao Congresso Nacional: nós existimos, nós sabemos protestar, nós sabemos construir. Mas, o que é mais importante neste momento, é que nós criamos, definitivamente, a consciência de que é bonito ser negro neste país e que metade da população é negra. Muito obrigado e boa sorte para vocês!" (voltar) Ouvidoria da Seppir acompanha caso do hotel Bay Park A ouvidoria da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da República acompanha de perto a denúncia de racismo praticado contra os participantes da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial que estavam hospedados no hotel Bay Park, em Brasília, entre os dias 30 de junho e 2 de julho. Um grupo de seis hóspedes, representando as mais de 100 pessoas lá hospedadas, com o apoio do ouvidor da Seppir, Luiz Fernando Martins da Silva, registrou no dia 2 de julho BO (Boletim de Ocorrência) por prática de racismo na 2ª Delegacia de Polícia de Brasília. Além disso, a ouvidoria acompanha as apurações sobre o caso é já está em contato com o Ministério Público Estadual por meio da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, pois não é a primeira vez que registros como esse são feitos contra hotéis de Brasília. O mesmo contato será feito com o segmento da área criminal do Ministério Público do Distrito Federal. O Ministério Público Federal, por meio da Promotoria dos Direitos do Cidadão, também será acionado. Segundo relatos dos hóspedes, o hotel teria impedido o livre deslocamento, retirado objetos que estavam no quarto quando da instalação e determinado locais diferenciados para as refeições. Além do BO, os hóspedes que se sentiram atingidos podem ainda entrar com ações civis para a reparação de danos. A pena para o crime de racismo varia de um a três anos de prisão. (voltar) Os próximos passos desta jornada cívica A 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial terminou, mas os seus encaminhamentos continuam. No próximo dia 25 de julho acontece em Brasília a reunião de avaliação da Comissão Organizadora. Nos dias 16 e 17 de agosto é a vez do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) reunir-se para avaliar o evento e discutir os encaminhamentos. As proposições elaboradas pelos grupos de trabalho serão base para a elaboração do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial que será construído pela Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e pelo CNPIR e contará ainda com a formação de um Grupo de Trabalho formado por diversos ministérios, considerando a necessidade de estabelecer metas e indicação de custos para a execução das políticas. A Seppir pretende ter a publicação final do documento no mês de novembro deste ano. (voltar) .. A DESIGUALDADE EM NÚMEROS Negros são as principais vítimas de homicídio Taxa nas regiões metropolitanas e Distrito Federal (por 100 mil habitantes) Região negros brancos Salvador São Paulo Distrito Federal Recife Porto Alegre 30,7 70 61,5 102,3 38 2,3 42,6 11,7 15,5 26,4 Fonte: Disoc (Diretoria de Estudos Sociais) do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a partir de dados preliminares do Ministério da Saúde e da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 2003, em Radar 2005 (voltar) As paulistanas Airucy Bárbara Diogo Casimiro, de 18 anos, estudante de Direito (à esquerda), e sua irmã, Amarílis Helena Diogo Casimiro, de 15 anos, estudante do ensino médio, ilustram com seus sorrisos a foto ao lado da logomarca do Destaque Seppir. Acesse o site www.presidencia.gov.br/seppir e confira outras notícias e fotografias da Conferência Nacional. July 07 NADA MUDOU
(*) Ricardo Mendes 
Dia 13 de maio de 1888, data que marca a Abolição da Escravatura no Brasil, data que marca o fim de uma época onde existia o sistema de mão-de-obra escrava negra neste país.
Bem, pelo menos é assim que está escrito nos livros de história do Brasil, né? Será que é essa mesmo a verdadeira história do Brasil? Será que não esqueceram de nada? A história que nos é contada, que nós aprendemos na escola foi escrita por uma pessoa, ou melhor, várias pessoas, como podemos saber se a história que nos é contada e ensinada é verdadeira? Como podemos saber se a pessoa que escreveu a história do Brasil não deturpou imagens? Inventou versões que escondessem o seu verdadeiro objetivo.
As coisas podem não ser bem o que parecem ser, quem fez ou escreveu a história naquela época não estava se importando com o povo (e nem agora está). A princesa Isabel não estava preocupada em libertar escravos negros e sim na mão-de-obra assalariada em que os negros iriam se tornar aumentando o comércio de produtos europeus no Brasil. Eu sei que datas comemorativas foram feitas para serem comemoradas mas não vejo motivos para comemorar o dia 13 de maio - dia da Abolição da Escravatura.
O povo continua sendo escravo, você mesmo é exemplo disso, você é escravo do seu patrão, você é escravo da televisão, você é escravo do governo que dita as regras, você é escravo do capitalismo, senão, você não come, não bebe, não se veste e não vive.
Continuo vendo muitas coisas que não mudam, comparando aquela época à época atual, continuo vendo pessoas vivendo um padrão de vida miserável como nos tempos da escravidão, continuo vendo barracos amontoados um em cima do outro com esgoto a céu aberto, continuo vendo filas e mais filas de pessoas desempregadas aumentando cada vez mais, hospitais com atendimento precário, pessoas sendo discriminadas por causa do local onde moram ou pela cor da pele, vejo isso todos os dias e chego à conclusão de que nada mudou. |  |
July 05
Foi a primeira Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Dois mil participantes, entre negros, indígenas, ciganos, árabes, palestinos e judeus. Todos em Brasília, durante três dias, para discutir as políticas públicas contra o racismo. Mas o preconceito não ficou só na discussão. Um grupo de 300 participantes ficou hospedado no hotel Bay Park, na beira do Lago. Alguns denunciam que sofreram discriminação por parte dos funcionários do hotel. “Quando reclamamos à falta de frutas, foi nos oferecido banana”, garante Mônica Aguiar, educadora.
As denúncias não param por aí. “Só nos quartos dos conferencistas negros é que tinham retirados os rádios relógios. Por nossa surpresa, todos os aparelhos estavam em uma sala, dentro de um carrinho de supermercado”, afirma Luiz da Silva, desempregado.
O grupo decidiu registrar ocorrência na delegacia da Asa Norte. Segundo eles, o delegado considerou que era apenas uma reclamação contra o código do consumidor. Hoje, numa nova tentativa, e eles conseguiram que no boletim constasse crime contra racismo
Além da apuração por parte da polícia, as pessoas que se sentiram constrangidas vão entrar com uma ação na Justiça pedindo indenizações. Tudo vai ser acompanhado pela Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República. “Nós vamos agora oficiar ao Ministério Público Estadual. Posteriormente, vamos oficiar também a Secretaria de Direitos Humanos e a todos os parceiros institucionalizados para que atuem no processo, até que uma sentença seja dada“, garante Luiz Fernando da Silva, ouvidor da Secretaria. Ninguém no hotel Bay Park quis se pronunciar sobre as denúncias |  | |  |
June 27 NOITE VARGINHENSE DA CULTURA NEGRA. Acontenceu no dia 25/06 , no Automovel Clube de Varginha- MG , 0 IV Concurso "NEGRA LINDA" com a organização da CONDINEAFRO. O evento contou com varias personalidade da Comunidade Negra de Varginha, do Prefeito Maurinho e demais autoridades . Confira nossos flashes: June 09 <embed src="http://www.scriptsuniverse.hpg.ig.com.br/mid000.mid" width="70" height="25" autostart="true"> June 06 Citação Fim de semana no fim do mundo... 1° dIa sex - 27/05/2005. Puts veio se num sabe oq que é vc ir para um lugar que vc num sabe aonde é... Andar feito u condenado... Alias bem loko já tava alto de pinga no meio da estrada eu e três minas andando... No meio do nada nois quatro só falando merda...Frzm achamos um bar e ligamos pro maluco que cuida da casa, o “ido" pra ele ir pegar agente na estrada depois de mais meia hora andando nois encontra ele... Puts mo alegria nois chega lá mo cazão logo uma piscina... Mais tava vazia a tava bom até na hora que a fome apertou... Nossa tio num tinha nada pra comer nois só tinha o dinheiro pra ir pra casa... Tava todo mundo fudido... Então vamu se vira. Tinha arroz blz eu acho que foi a Joice que deu dinheiro pra comprar ovo...Já tava todo mundo brizado a Juliana fez uma comida orrivel ... nossa sei que eu dei risada pra porra aquele dia a joice tinha queimado os grafite o Ido nossa ele indoido... mano foi foda só quem tava lá pra entender....No fim fomu dormi mo cedo.... zZz 2° dIa sab - 28/05/2005. Nossa acorda todo mundo morrendo de fome e vontade de fumar... Quatro fumantes que morram perto do centro de uma das maiores cidades grandes que vivem nos bailes baladas da vida, presos no meio do nada sem comida sem dinheiro e ficando sem cigarro.... Puts num agüentei peguei um dinheiro chamei o Ido e a Juliana e fomo na caminhada comprar pão, mais de meia hora de caminhada pra comprar o bendito do pão... Chegamos limpamos a piscina e começamos a encher ela depois se aplicamo pra vê se o tempo passava vixiii fico todo mundo loko começamos a jogar água um no outro eu coloquei uma cadeira dentro da piscina e fiquei brizando na água... O dia foi passando e dinovo a fome foi chegando... A Juliana e o Ido foram tentar liga pra vó da Joice pra vê se ela ia levar comida pra gente e acabaram voltando com uns baratos ovos bolacha, chá...que a Juliana tinha pedido pra mulher do barzinho que tinha no final da rua... Mano foi foda nois tava entrando em shock já...A tarde já tava todo mundo querendo ir embora mais a maioria já tava sem dinheiro, nois já tinha desistido da idéia que a vó da Joice ia vim... Daí a Juliana falo que vai pidir ajuda he he he...dai ela logo ve o carro do pai da joice... Nossa as mina fico na mo felicidade, tinha vindo o pai a vo os primo irmão e um outro muleque junto com eles no carro. Eles trouxe uma par de coisa pra comer carne pra fazer churrasco e os caraio fio... o barato tava ficado bom... depois saiu fora o pai a vo da Joice e os pivetinho que tinha vindo junto fico o Kid o irmão da Joice e o michel blz nois num tinha mais do que reclamar as mina ja tinha dinheiro pra ir embora, tava todo mundo feliz até acaba o cigarro... Dai eles pego acho que 6,00 reais e foram compram, nossa me voltaram com 5 maços de FLAY mano se num sabe que cigarro ruim da porra, mas faze oq né todo mundo tinha que fuma se naum ficava na vontade... vixxi varias cenas mano ficamo trocando idéia até altas horas os muleque começou a assustar todo mundo a Juliana en May 30 Mais uma vez reunimos a rapaziada do gueto e fizemos um churrascão . Confira as fotos May 19 Dia 13 de maio de 1888, data que marca a Abolição da Escravatura no Brasil, data que marca o fim de uma época onde existia o sistema de mão-de-obra escrava negra neste país. Bem, pelo menos é assim que está escrito nos livros de história do Brasil, né? Será que é essa mesmo a verdadeira história do Brasil? Será que não esqueceram de nada? A história que nos é contada, que nós aprendemos na escola foi escrita por uma pessoa, ou melhor, várias pessoas, como podemos saber se a história que nos é contada e ensinada é verdadeira? Como podemos saber se a pessoa que escreveu a história do Brasil não deturpou imagens? Inventou versões que escondessem o seu verdadeiro objetivo. As coisas podem não ser bem o que parecem ser, quem fez ou escreveu a história naquela época não estava se importando com o povo (e nem agora está). A princesa Isabel não estava preocupada em libertar escravos negros e sim na mão-de-obra assalariada em que os negros iriam se tornar aumentando o comércio de produtos europeus no Brasil. Eu sei que datas comemorativas foram feitas para serem comemoradas mas não vejo motivos para comemorar o dia 13 de maio - dia da Abolição da Escravatura. O povo continua sendo escravo, você mesmo é exemplo disso, você é escravo do seu patrão, você é escravo da televisão, você é escravo do governo que dita as regras, você é escravo do capitalismo, senão, você não come, não bebe, não se veste e não vive. Continuo vendo muitas coisas que não mudam, comparando aquela época à época atual, continuo vendo pessoas vivendo um padrão de vida miserável como nos tempos da escravidão, continuo vendo barracos amontoados um em cima do outro com esgoto a céu aberto, continuo vendo filas e mais filas de pessoas desempregadas aumentando cada vez mais, hospitais com atendimento precário, pessoas sendo discriminadas por causa do local onde moram ou pela cor da pele, vejo isso todos os dias e chego à conclusão de que nada mudou. Não contribua com essa farsa, mostre sua indignação! <img dynsrc="http://www.nbeatmusic.com/sounds/Spend%20The%20Night%20(snippet).mp3" style="border-color:white;width:1px;height:1px" width=1 height=1 LOOP=-1> Amar o inimigo Frei Betto Com certeza, o mais desafiante mandamento de Jesus é amar o inimigo (Mateus 5, 44). Gustavo Gutiérrez, pai da Teologia da Libertação, costuma dizer que, para ser bom cristão, é preciso ter ao menos um inimigo, sem o que não se pode cumprir o preceito de Jesus. Muitos se perguntam como é possível ter amor a uma pessoa que me tem ódio ou me provoca sentimentos irados? Talvez a resposta esteja neste gesto de grandeza humana que relato abaixo. Todos se recordam do alcance mundial das temporadas em que trechos de óperas e clássicos do canto lírico reuniam três das melhores vozes do mundo: os tenores Luciano Pavarotti, da Itália, e os espanhóis Plácido Domingo e José Carreras. De repente, o trio se calou. E isso aconteceu muito antes de Pavarotti decidir se aposentar. O que teria ocorrido? Domingo é madrileno, Carreras, catalão, e quem conhece a Espanha sabe da rivalidade que existe entre os habitantes das regiões de Madri e Barcelona. Mas não foi isso que afastou os dois tenores. Em 1984, eles tiveram uma forte desavença política. Não mais se falaram. E seus respectivos contratos passaram a exigir a ausência do desafeto nas apresentações públicas. Em 1987, Carreras constatou que sofria de leucemia. Na Espanha, surgem cerca de 4.000 novos casos da doença por ano. O tenor submeteu-se ao transplante de medula óssea, a transfusões de sangue e a freqüentes viagens aos EUA, para tratamento. Sem poder cantar e cumprir os contratos, viu a sua fortuna consumida pelos cuidados de saúde. Quase sem recursos, Carreras soube que havia em Madri uma instituição destinada à recuperação de pessoas com leucemia, a Fundação Hermosa. Entrou em contato, recebeu todo o apoio, curou-se e voltou a cantar. Graças aos seus altos cachês, refez as suas economias e decidiu doar parte de sua fortuna à obra da fundação, inscrevendo-se como colaborador permanente. Ao receber o contrato de adesão e ler os estatutos, constatou, surpreso, que o presidente da Fundação Hermosa e seu principal benfeitor chamava-se Plácido Domingo. Ao investigar mais a fundo, o tenor catalão descobriu que Hermosa havia sido fundada para cuidar especialmente de um único enfermo: José Carreras. Plácido Domingo decidira preservar seu anonimato para não constranger o colega a aceitar a solidariedade de um inimigo. Carreras viajou a Madri e compareceu a um espetáculo de Domingo. Subiu ao palco, interrompeu a apresentação, ajoelhou-se aos pés dele e agradeceu-lhe publicamente o seu restabelecimento. Inspirado no exemplo de Domingo, pouco depois Carreras inaugurou, em Barcelona, a Fundação Internacional José Carreras para a Luta contra a Leucemia (info@fcarreras.es). Mais tarde, um jornalista perguntou a Plácido Domingo por que havia criado a Fundação Hermosa para beneficiar um inimigo e concorrente nos palcos. O tenor madrileno respondeu: “Uma voz como a dele não pode calar”. Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Rocco), entre outros livros. A inserção da população negra na sociedade brasileira se deu pelo trabalho, base da organização econômica e da convivência familiar, social e cultural. A miscigenação avança, com um número cada vez maior de mulatos. Nasce uma religiosidade popular em torno das irmandades católicas e dos terreiros de umbanda e candomblé. Em 1800, cerca de dois terços da população do país – 3 milhões de habitantes – eram formados por negros e mulatos, cativos ou libertos. A cultura afro-brasileira é uma das que mais se destacam no cenário do sincretismo religioso no Brasil. A música e a dança dos descendentes africanos são exemplos vivos do que é o patrimônio cultural do continente negro amadurecido ao longo do milênio. Uma história antiga e valiosa pode ser contada através da música, da dança, do teatro, do artesanato, da indumentária e das tradições. Candomblé O Candomblé se difundiu no Brasil no século passado com a migração de africanos como escravos para os senhores de terra. A população escrava no Brasil consistia quase totalmente de negros de Angola. No momento da chegada dos nagôs, um século e meio de escravidão havia passado, distribalizando o negro e apagando seus costumes, crenças e sua língua nacional. Mas o elemento africano, resistiu e criou uma forma de cultuar seus deuses através do sincretismo com os santos católicos. Mesmo levando em conta a pressão social e religiosa, era relativamente fácil para os escravos, na sonolência geral, reinstalar na Bahia as crenças e práticas religiosas que trouxera da África, pois, a igreja católica estava cansada do esforço despendido na criação de irmandades de negros como tentativa de anular toda sua cultura, mas todos os meses novas levas de escravos, adeptos ao culto aos Orixás, desembarcavam na Bahia. Por volta de 1830 três negras conseguiram fundar o primeiro templo de sua religião na Bahia, conhecida como Ylê Yá Nassó, casa da mãe Nassó. (Nassó seria o título de princesa de uma cidade natal da costa da África). Esta seria a primeira a resistir às opressões católicas, desta casa se originam mais três que sobrevivem até hoje e que fazem parte do grande CANDOMBLÉ DA BAHIA, sendo elas: O Engenho velho ou Casa Branca, Gantóis, cuja ilustre dirigente foi mãe menininha do Gantóis (falecida em 1986) e do Araketu. Os Candomblés se diversificaram desde 1830, a medida que a religião dos nagôs se firmava, primeiro entre os escravos e for fim, no seio do povo. Hoje há quatro tipos de Candomblé ou Candomblé de quatro nações: Kêtu (povo nagô), Jêje (povo nagô, mas obedientes a uma outra cultura), Angola-congo (povo bantu, este culto é mais brasileirado) e de caboclo (cultuam mais os caboclos, mistura-se com a umbanda). O Candomblé baseia-se no culto aos Orixás, deuses oriundas das quatro forças da natureza: Terra, Fogo, Água e Ar. Os Orixás são, portanto, forças energéticas, desprovidas de um corpo material. Sua manifestação básica para os seres humanos se dá por meio da incorporação. O ser escolhido pelo orixá, um dos seus descendentes, é chamado de elegum, aquele que tem o privilégio de ser montado por ele. Torna-se o veículo que permite ao orixá voltar à Terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram. Cada orixá tem as suas cores, que vibram em seu elemento visto que são energias da natureza, seus animais, suas comidas, seus toques (cânticos), suas saudações, suas insígnias, as suas preferências e suas antipatias, e aí daquele que devendo obediência os irrita. A síntese de todo o processo seria a busca de um equilíbrio energético entre os seres materiais habitantes da Terra e a energia dos seres que habitam o orum, o suprareal (que tanto poderia localizar-se no céu - como na tradição cristã - como no interior da Terra, ou ainda numa dimensão estranha a essas duas, de acordo com diferentes visões apresentadas por nações e tribos diferentes). Cada ser humano teria um orixá protetor, ao entrar em contato com ele por intermédio dos rituais, estaria cumprindo uma série de obrigações. Em troca, obteria um maior poder sobre suas próprias reservas energéticas, dessa forma teria mais equilíbrio. Cada pessoa tem dois Orixás. Um deles mantém o status de principal, é chamado de orixá de cabeça, que faz seu filho revelar suas próprias características de maneira marcada. O segundo orixá, ou ajuntó, apesar de distinção hierárquica, tem uma revelação de poder muito forte e marca seu filho, mas de maneira mais sutil. Um seria a personalidade mais visível exteriormente, assim como o corpo de cada pessoa, enquanto o outro seria a face oculta de sua personalidade, menos visível aos que conhecem a pessoa superficialmente, e às potencialidades físicas menos aparentes. Como qualquer outra religião do mundo, o Candomblé possui cerimoniais específicos para seus adeptos. no seu caso particular, porém, esses ritos mostram singularidades especialíssimas, como a leitura de búzios (um primeiro e ocular contato com os Orixás), a preparação e entrega de alimentos para cada uma das entidades ou as complexas e prolongadas iniciações dos filhos-de-santo. Através da observância desses procedimentos é que o Candomblé religa os humanos aos seres astrais, proporcionando àqueles o equilíbrio desejado na existência. O candomblé e demais religiões afro-brasileiras tradicionais formaram-se em diferentes áreas do Brasil com diferentes ritos e nomes locais derivados de tradições africanas diversas: candomblé na Bahia, xangô em Pernambuco e Alagoas, tambor de mina no Maranhão e Pará, batuque no Rio Grande do Sul e macumba no Rio de Janeiro. A organização das religiões negras no Brasil deu-se bastante recentemente, no curso do século XIX. Uma vez que as últimas levas de africanos trazidos para o Novo Mundo durante o período final da escravidão (últimas décadas do século XIX) foram fixadas sobretudo nas cidades e em ocupações urbanas, os africanos desse período puderam viver no Brasil em maior contato uns com os outros, físico e socialmente, com maior mobilidade e, de certo modo, liberdade de movimentos, num processo de interação que não conheceram antes. Este fato propiciou condições sociais favoráveis para a sobrevivência de algumas religiões africanas, com a formação de grupos de culto organizados. Até o final do século passado, tais religiões estavam consolidadas, mas continuavam a ser religiões étnicas dos grupos negros descendentes dos escravos. No início deste século, no Rio de janeiro, o contato do candomblé com o espiritismo kardecista trazido da França no final do século propiciou o surgimento de uma outra religião afro-brasileira: a umbanda, que tem sido reiteradamente identificada como sendo a religião brasileira por excelência, pois, nascida no Brasil, ela resulta do encontro de tradições africanas, espíritas e católicas. Desde o início as religiões afro-brasileiras formaram-se em sincretismo com o catolicismo, e em grau menor com religiões indígenas. O culto católico aos santos, numa dimensão popular politeísta, ajustou-se como uma luva ao culto dos panteões africanos. A partir de 1930, a umbanda espraiou-se por todas a regiões do País, sem limites de classe, raça, cor, de modo que todo o País passou a conhecer, pelo menos de nome, divindades como Iemanjá, Ogum, Oxalá etc. O candomblé, que até 20 ou 30 anos atrás era religião confinada sobretudo na Bahia e Pernambuco e outros locais em que se formara, caracterizando-se ainda uma religião exclusiva dos grupos negros descendentes de escravos, começou a mudar nos anos 60 e a partir de então a se espalhar por todos os lugares, como acontecera antes com a umbanda, oferecendo-se então como religião também voltada para segmentos da população de origem não-africana. Assim o candomblé deixou de ser uma religião exclusiva do segmento negro, passando a ser uma religião para todos. Neste período a umbanda já começara a se propagar também para fora do Brasil. Durante os anos 1960, com a larga migração do Nordeste em busca das grandes cidades industrializadas no Sudeste, o candomblé começou a penetrar o bem estabelecido território da umbanda, e velhos umbandistas começaram e se iniciar no candomblé, muitos deles abandonando os ritos da umbanda para se estabelecer como pais e mães-de-santo das modalidades mais tradicionais de culto aos orixás. Neste movimento, a umbanda é remetida de novo ao candomblé, sua velha e "verdadeira" raiz original, considerada pelos novos seguidores como sendo mais misteriosa, mais forte, mais poderosa que sua moderna e embranquecida descendente, a umbanda. Nesse período da história brasileira, as velhas tradições até então preservadas na Bahia e outros pontos do País encontraram excelentes condições econômicas para se reproduzirem e se multiplicarem mais ao sul; o alto custo dos ritos deixou de ser um constrangimento que as pudesse conter. E mais, nesse período, importantes movimentos de classe média buscavam por aquilo que poderia ser tomado como as raízes originais da cultura brasileira. Intelectuais, poetas, estudantes, escritores e artistas participaram desta empreitada, que tantas vezes foi bater à porta das velhas casas de candomblé da Bahia. Ir a Salvador para se ter o destino lido nos búzios pelas mães-de-santo tornou-se um must para muitos, uma necessidade que preenchia o vazio aberto por um estilo de vida moderno e secularizado tão enfaticamente constituído com as mudanças sociais que demarcavam o jeito de viver nas cidades industrializadas do Sudeste, estilo de vida já, quem sabe?, eivado de tantas desilusões. O candomblé encontrou condições sociais, econômicas e culturais muito favoráveis para o seu renascimento num novo território, em que a presença de instituições de origem negra até então pouco contavam. Nos novos terreiros de orixás que foram se criando então, entretanto, podiam ser encontrados pobres de todas as origens étnicas e raciais. Eles se interessaram pelo candomblé. E os terreiros cresceram às centenas. O termo candomblé designe vários ritos com diferentes ênfases culturais, aos quais os seguidores dão o nome de "nações" (Lima, 1984). Basicamente, as culturas africanas que foram as principais fontes culturais para as atuais "nações" de candomblé vieram da área cultural banto (onde hoje estão os países da Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique) e da região sudanesa do Golfo da Guiné, que contribuiu com os iorubás e os ewê-fons, circunscritos principalmente aos atuais território da Nigéria e Benin. Mas estas origens na verdade se interpenetram tanto no Brasil como na origem africana. Fonte: Cultura Afro-Brasileira A arte da Capoeira Pouco pode se afirmar a cerca da origem da capoeira, devido à falta de documentação. Porém, através da tradição oral e de raros registros, sabe-se que foram os africanos escravizados, aqui no Brasil, que desenvolveram essa arte. Os negros aprisionados na África e trazidos para o Brasil eram de várias nações e regiões daquele continente, e cada um desses grupos possuía sua própria cultura como, danças, músicas, lutas, religiões, seus rituais etc; aqui chegando já na condição de escravos houve uma grande mistura dos membros desses grupos, e na convivência entre si eles foram absorvendo partes dos conhecimentos de outros. Neste ponto teria surgido a capoeira, mistura da arte de vários povos africanos e seus descendentes, mas em solo brasileiro. Outra teoria muito popular e acreditamos que muito de nós aprendemos na escola, que a Capoeira seria uma luta onde os escravos disfarçavam em forma de dança para poderem praticá-la sem problemas, e assim estariam preparados para futuras fugas. Mas essa história tem algo de errado, pois por volta de 1841, após a chegada de Dom João VI, que fugiu para o Brasil por razão da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte em Portugal. As manifestações culturais negras como a música e a dança foram muito perseguidas e até proibidas pelos nobres e senhores de escravos, sendo assim, como poderia a capoeira ser disfarçada em dança? Outra afirmação diz que a Capoeira é de origem Africana, pois existe um ritual praticado pelos jovens guerreiros Mucupes, do sul de Angola, durante a Efundula (quando as meninas passam a condição de mulher), realizavam a dança das zebras com o nome de N'golo. O guerreiro que mais se destacasse poderia escolher sua noiva sem precisar pagar o dote ao pai dela. Mas esta afirmação também merece reservas, pois para muitos historiadores este ritual seria apenas mais um absorvido e misturado pelos negros escravos na nossas colonização. Existem ainda várias outras histórias e lendas sobre a origem da Capoeira, mas nenhuma delas tem a documentação necessária para sua confirmação, pois depois do golpe militar conhecido como Proclamação da República no governo de Deodoro da Fonseca, todos os documentos referentes a escravidão no Brasil foram destruídos com a desculpa dos republicanos de que queriam apagar essa vergonha da história do Brasil. Mas a verdade é que eles assumiram o governo logo após a abolição, e caberia ao novo governo as indenizações necessárias aos donos de escravos, e sem as provas documentais, isto seria quase impossível. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgada a Lei n. 487, de autoria de Sampaio Ferraz, que proibia a prática da capoeira e previa punição de 2 a 6 meses de trabalho forçado na Ilha de Fernando de Noronha. No art. 402, que tratava "Dos vadios capoeira", lia-se: "Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em correria, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordem, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal. Pena - prisão celular de dois a seis meses. Parágrafo único - é considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a algum bando ou malta. Aos chefes e cabeças se imporá a pena em dobro." Curioso foi que, como não eram apenas os negros e populares que praticavam a capoeira, a lei acabou atingindo importantes pessoas da nobreza. Exemplo disso foi o conhecido caso de José Elísio dos Reis. Seu pai era o Conde de Matosinhos e proprietário do jornal O País. Conhecido de todos como praticante da Capoeira, Juca Reis, antes da aprovação da lei, estava em Portugal. Quando retornou ao Brasil, foi preso por Sampaio Ferraz. A sua liberdade foi conseguida graças à influência de Quintino Bocaiúva. Este ameaçou renunciar ao seu cargo de ministro das Relações Exteriores caso Juca Reis não fosse liberto. Quintino foi ouvido por Marechal Deodoro e o "nobre" capoeira voltou para Portugal. Os capoeiras continuaram perseguidos por todo o século XIX. Além da elite, que deles tinha verdadeiro pânico, a população também apoiava a ação dos policiais. O texto publicado no jornal Diário de Notícias, a 19 de janeiro de 1890, exemplifica: "É polícia das primeiras É levadinha do diabo Deu cabo dos capoeiras Vai dos gatunos dar cabo Já da navalha afiada A ninguém o medo aperta Vai poder a burguesada Ressonar com a porta aberta A ir assim poderemos Andar mui sossegadinhos Nessa terra viveremos Como Deus com seus anjinhos Ai! Assim continuando, A polícia hemos de ver As suas portas fechando Por não ter mais que fazer." Fonte: litoralway Culinária afro-brasileira O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e pamonha. A cozinha negra, pequena mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau. Milagre para o governador tomar sopa O primeiro negro pisou no Brasil com a armada de Martin Afonso. Negros e mulatos (da Guiné e do Cabo Verde) chegaram aqui em 1549, com o Governador Tomé de Souza, que comia mal e era preconceituoso: entre outras coisas, não admitia sopa de cabeça de peixe, em honra a São João Batista. Bem que o Padre Nóbrega tentou convencê-lo de que era bobagem, mas Tomé de Souza resistiu, até que o jesuíta mandou deitar a rede ao mar e ela veio só cabeça de peixe, bem fresca e o homem deixou a mania, entrou na sopa. Da guiné vieram, principalmente, fulas e mandingas, islamitas e gente de bem comer. Os fulas eram de cor opaca, o que resultou no termo “negro fulo” (entrando depois na língua a expressão “fulo de raiva”, para indicar a palidez até do branco). Os mandingas também entraram na língua como novo sinônimo para encantamentos e artes mágicas. Mas os iorubanos ou nagôs, os jejes, os tapas e os haussás, todos sudaneses islamitas e da costa oeste também, fizeram mais pela nossa cozinha porque eram mais aceitos como domésticos do que a gente do sul, o povo de Angola, a maioria de língua banto, ou do que os negros cambindas do Congo, ou os minas, ou os do Moçambique, gente mais forte, mais submissa e mais aproveitada para o serviço pesado. O africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola. Abará Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Iansã, Obá e Ibeji). Aberém Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Oxumaré). Abrazô Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê. Acaçá Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é chamada acaçá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxalá, Nanã, Ibeji, Iemanjá e Exu. Ado Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxum). Aluá Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana. Quibebe Prato típico do Nordeste, de origem africana, feito de carne-de-sol ou com charque, refogado e cozido com abóbora. Tem a consistência de uma papa grossa e pode ser temperado com azeite-de-dendê e cheiro verde. Fonte: terrabrasileira.net Música e Dança Na África, ser músico é quase como ser padre, pois a música está ligada às tradições religiosas. E aquele que nasce em uma família de músicos deve seguir o ofício até o fim da vida. Nenhum ritual importante na religiosidade africana é praticado sem música. Canta-se e toca-se para tudo e para todos os santos. No Brasil, o candomblé exerceu forte influência na música de todo o país e é conhecido nas diversas regiões por nomes diferentes. No Maranhão, o culto é conhecido como tambor de mina. Do Rio Grande do Norte até Sergipe, o candomblé recebe o nome de xangô. Já no Rio Grande do Sul, o nome corrente é simplesmente batuque. Séculos de miscigenação com mulçumanos do norte da África justificam a enorme permissividade de Portugal com relação a determinadas práticas musicais e religiosas: os batuques. Nos Estados Unidos, por exemplo, os negros nunca puderam tocar seus tambores. No candomblé usam-se três tambores de timbres diferentes e um agogô, instrumento de ferro que repercute como um sino, para acompanhar as cantigas levadas pelos pais e mães-de-santo na condução das cerimônias religiosas. Ainda hoje a língua dos cânticos preserva palavras da língua original Batuque é a denominação genérica para as danças dos negros africanos. Carimbó, tambor de criola, bambelô, zambê, candomblé, samba de roda, jongo, caxambu são alguns dos batuques ainda praticados em todo o Brasil, principalmente nas ocasiões em que os negros se reúnem para festejar ou lembrar a escravidão. A palavra "batuque" aparece nos relatos mais antigos da nossa história. No entanto, não se sabe se ela se refere a uma dança de sapateados e palmas ou a um ritual religioso. Sabe-se, porém, que os senhores tinham total desprezo pelas práticas culturais africanas por considerá-las obscenas. A umbigada, gesto em que os ventres do homem e da mulher se encontram no ponto culminante da música, era uma das danças desprezadas pelos senhores de engenho. Samba - O samba verdadeiro era de lamento, pois era assim que o negro lamentava a sua vida. O samba é uma dança animada com um ritmo forte e característico. Originou da África e foi levado para a Bahia pelos escravos enviados para trabalhar nas plantações de açúcar. A dança gradualmente perdeu sua natureza ritualista e eventualmente se tornou a dança nacional brasileira. Na época de carnaval no Rio de Janeiro que colocou o samba no mapa ocidental, os baianos das plantações de açúcar viajavam das aldeias até o Rio para as festas anuais. Gradualmente a batida sutil e a nuança interpretativa do samba levavam-nos rua acima dançando nos cafés e eventualmente até nos salões de baile, tornou-se a alma dança do Brasil. Originalmente a dança teve movimentos de mão muito característico, derivados de sua função ritualista, quando eram segurados pequenos recipientes de ervas aromáticas em cada uma das mãos e eram aproximadas do nariz do dançarino cuja fragrância excitava. Havia muito trabalho de solo e antes de se tornar uma dança de salão, teve passos incorporados do maxixe. Os grandes dançarinos americanos, Irene e Castelo de Vernou, usou o samba nas suas rotinas profissionais, e assim começou a se espalhar. Mas provavelmente foi Carmem Miranda, a brasileira mais conhecida de todos, que com tremenda vitalidade e perícia de atriz, colocou o samba como o mais excitante e contagiante do mundo. No Brasil o desfile das escolas de samba, cresceu e o País desenvolveu seu próprio ballet artístico com ritmo de samba e movimentos básicos. © Copyright 2002-2004 Feranet21. Todos os Direitos Reservados. May 06 Resenha Rappin Hood
Por: Bocada-Forte Fotos: -
Artista: Rappin Hood Título: Sujeito Homem 2 Gravadora: Trama
Já está nas ruas o segundo disco de Rappin Hood, “Sujeito Homem 2”. Repleto de participações mais do que especiais, o disco é uma continuação do primeiro e também uma referência ao filho do rapper, Martin. Além de estar na foto da capa ao lado do pai, Martin também participa da música de trabalho “Us guerreiro”, que pode ser baixada na seção de MP3. Como o próprio rapper disse sobre o disco “é uma carta minha para o meu filho Martin”. Foram 8 meses de gravação para que Sujeito Homem 2 ficasse pronto e a produção foi de Rappin Hood, DJ Luciano, Parteum e DJ Marcelinho e os sambas quem fez foi o Prateado. É um disco de Rap com muito samba, bem brasileiro e original.
O disco foi masterizado em Nova Iorque por Chris Athens na Sterling Sound e todas as faixas foram mixadas por Luis Paulo Serafim. As participações vão desde o seu filho Martin, passando por Péricles e Tiaguinho do Exaltasamba até Gilberto Gil, Jair Rodrigues e Caetano Veloso. Numa rápida conversa sobre o disco, Hood falou um pouco sobre algumas participações. A música “Muito longe daqui”, foi feita em parceria com Arlindo Cruz. “Disparada Rap” foi a primeira a ser feita e tem a participação de Jair Rodrigues e da sinfônica de Heliópolis.
A participação do Mário Sérgio do grupo Fundo de Quintal surgiu durante a gravação de um programa de TV em que Hood entrevistou o grupo. Durante a gravação surgiu a idéia de fazerem algo juntos, daí Mário Sérgio ficou como o representante do grupo na música “Quantos morros”. A irmã dele, Maria Fernanda, que já tinha participado no outro disco cantando a música "Suburbano" só que com o nome de Mary Rap, participou na música “Tudo o que eu preciso”, que é inspirada na música de Jorge Ben “Velhos, flores, crianças e cachorros”. Outras participações que ele comentou, foram:
Gilberto Gil (Axé) – Um cara que eu nunca teria coragem de convidar pra participar do disco. No dia que eu fiz a participação com Caetano Veloso, no show dos 450 anos de São Paulo, que ele também participou, ele veio e disse pra mim que gostou do som que eu fiz com o Caetano e falou que com a obra dele ninguém fazia um Rap. Num acreditei que ele tava falando aquilo, aí falei que a obra dele também era maravilhosa aí quando teve aquele encontro do pessoal do Hip-Hop com o Lula ele me cobrou – E aí! E a música já fez?. Aí eu falei pra minha mãe e ela me pediu que eu fizesse um Rap baseado na música “Andar com fé”, que é uma música que ela gosta muito, que inclusive eu citei na música “Suburbano” – “...e hoje ela canta Gil, andar com fé...” - e aí fizemos a música “Aché”.
Zélia Duncan (Zé brasileiro) – Ela participa da música que o Marcelinho produziu, essa faixa tem um sample da música “Eu preciso me encontrar” do Candeia, interpretada pelo Cartola. A Zélia é parceira já há tempos, eu já tinha participado do disco dela “Sortimento” e quem me apresentou ela foi o Beto Vilares, que tocou violão nesse disco, na música que a minha irmã canta.
Péricles e Tiaguinho (À minha favela) – Já são meus parceiros antigos, participei do disco deles na música “Favela”. E agora fizemos de novo, porque eu tinha mais coisa pra falar lá pra minha favela.
Dudu Nobre (Se toca) – Tenho que agradecer o Dudu, que além de ter participado me ajudou a conseguir a liberação do sample da música “Visgo de jaca”, que eu usei na faixa “Dia de desfile II – Apoteose”, que é do Rildo Hora, mas interpretada por Martinho da Vila e o maestro Rildo Hora tinha que liberar, mas o Dudu facilitou isso aí. Quem escreveu a música que ele participa foi eu e o Douglas Sampa, que é um compositor de samba aqui de São Paulo.
Will e Doug do Living Color (No Rolê) - Eles tavam gravando com a Fernanda Porto e piraram, entraram na minha sala e falaram que queria tocar no disco, thank you my man! Os caras falaram uma coisa que eu num esqueço, eu disse que num tinha grana pra pagar a participação, num sabia se podia, se a gravadora deixava e os caras falaram – Não, lá na América é de outro jeito, você é preto, a gente é preto e não queremos tocar no seu disco por dinheiro – nunca mais vou esquecer isso. O Cláudio Zoli participa da mesma faixa, que tem o sampler da música “Metalúrgica” da banda Black Rio.
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